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Melhor amigo do homem

Genaro era um homem muito caridoso e só via o lado bom de todos.

Voltando do trabalho, viu uma cadelinha ser acidentada por um motorista que passava em alta velocidade: Vai ver ele estava muito atrasado, pensou ele. Quanto à cadelinha, que o mordeu ao ser socorrida, levou-a para sua casa, mesmo em condições financeiras precárias para ter mais uma boca a que dar de comer; resolveu cuidar do ferimento da pobre coitada.

Em poucos dias, o animalzinho já havia deixado de lado a revolta do acidente e já aceitava carícias de todos os membros da família.

O melhor amigo de Genaro, Rodolfo, estava vivendo em um quartinho da casa, já que não tinha para onde ir depois de ter perdido o emprego, havia cinco meses.

Passado um largo tempo, os dois, antes corpos estranhos naquele local, já eram membros da família. Rodolfo arrumara um emprego, mas vivia na pindaíba; Menina, era assim que todos a chamavam, tinha muitos filhotes, herdeiros dos cães da região.

Mas, algo aconteceu naquela casa da Rua Almada, número 12. Rodolfo, para pagar dívidas de jogo, vendeu (quando Genaro e sua família não estavam) todos os móveis da casa. Saiu sem deixar sinal de vida. Menina, a vira-lata, tentou alertar toda a vizinhaça da mudança repentina, mas não surtiu efeito.

Cães latindo e a sala vazia foi o quadro vislumbrado por Genaro e os seus ao chegarem a casa. Genaro nada falou, apenas chorou, abraçando sua cadelinha, que o fitava como se dissesse: Tentei impedir.

José Augusto G. de Almeida em: http://amoraspalavras.zip.net

2007-01-18 Outros textos José Augusto José Augusto
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