Marvin, o misterioso*
Marvin, o misterioso*
(Por Ricardo Brandes)
Já era noite quando ele entrou no aeroporto, a passos lentos, sem ser notado. A porta do saguão se abriu lentamente, e seus pés logo tropeçaram em uma pilha de jornais velhos...
Ali ele acabou se encontrando, a contragosto, com dois pés descobertos, que repousavam em um berço nada esplendido. Naquele local ninguém se entendia, sobrava desordem e faltava progresso.
Passageiros agitados, tumulto, ameaça de invasão da pista de pouso, quebra-quebra. Alguns brigavam, entre tapas e beijos, ódio e desejo de ser o próximo a embarcar rumo ao céu profundo. Outros repousavam em camas improvisadas, no chão do aeroporto que naquele instante mais parecia uma favela repleta de pobres mendigos de terno e gravata.
Assim, ele decidiu que o melhor mesmo seria permanecer ali caído, quietinho, dividindo aquele abrigo com aquele par de pés até que os próximos vôos fossem liberados.... Mas uma enxurrada de reclamações logo entrou por seus ouvidos:
- Ei, abusado! Deitas no meu papelão, te esfregas nas minhas pernas e agora me abraças? Quem você pensa que é, heim??
Os dois delicados pés se levantaram, em meio aos jornais e papéis de seu abrigo. Era um par de pés femininos! Assim que ficaram frente a frente seus olhares se cruzaram, num silencio tão profundo quanto as estrelas daquele céu sem movimento. Ela sorriu, ele se aproximou. E o rádio do aeroporto anunciou a liberação de dois aviões que partiriam em breve...
Em meio a brigas e protestos dos passageiros, ele partiu, e ela chorou. O rádio tocava uma famosa canção que a fez encontrar um nome para Ele... Só restava agora saber quem era o seu misterioso Marvin...
*Texto do FOLHETIM VIRTUAL – www.aguia2.pop.com.br
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