MEU CAIS, MINHA MORADA
MEU CAIS, MINHA MORADA
Fátima Venutti
Naufrago em meu cais,
Apunhalo versos-trapos mornos
Que esta solidão me faz recitar,
Cá estou.
A definhar minhas poucas vestes
Do abandono nefasto da paixão
E ainda sublinho, exausto,
Meu último respiro poético a resvalar.
Findo, prostrado e tolo a me afogar.
Oh nau narcísea de glórias
Em que me abrigo e me afago...
Revida, no gesto ancorado desta fome
E contempla minh` alma deste legado insano.
E dai-me um último e súbito poema
E que nele adormeça,
Ao cair inválido nesta única morada,
Este mais que verdadeiro lastro
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