Liso Líquido
Raia o dia luzes multicolores
Lambe o sol a superfície lisa,
Rica de fragrâncias e odores,
Dos verdes e bravios líquidos
Que jaspeiam, reverberando
E proporcionando majestoso
Espetáculo, onde miríades
De pequeninas e cintilantes
Estrelinhas frias e vadias,
Pareciam que eram vivas,
Tal era a beleza do instante,
Em plenitude intermitente
Da luz doida e doirada do dia...
Singra meus verdes mares
Meus esparsos e vulgares
Pensamentos que minhas
Mãos macias acariciam...
Escuto o marulho das vagas
Tragadas pela vasta maré...
Vinham todas espumantes
Cataratas beijarem nosso pés...
Vão todos mansos murmúrios
Dos levianos ventos que sopram
Em teus cabelos tão escuros
Invadindo todo o pomar
Que verte flores violáceas
Que se ramificam pelo ar
Galgando os muros nus
Na procura das acácias
Famintas da branca luz...
São folhas outonais ao vento...
Assim são e se vão, ao relento,
Meus vãs e anormais pensamentos...
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