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Liso Líquido

Raia o dia luzes multicolores

Lambe o sol a superfície lisa,

Rica de fragrâncias e odores,

Dos verdes e bravios líquidos

Que jaspeiam, reverberando

E proporcionando majestoso

Espetáculo, onde miríades

De pequeninas e cintilantes

Estrelinhas frias e vadias,

Pareciam que eram vivas,

Tal era a beleza do instante,

Em plenitude intermitente

Da luz doida e doirada do dia...

Singra meus verdes mares

Meus esparsos e vulgares

Pensamentos que minhas

Mãos macias acariciam...

Escuto o marulho das vagas

Tragadas pela vasta maré...

Vinham todas espumantes

Cataratas beijarem nosso pés...

Vão todos mansos murmúrios

Dos levianos ventos que sopram

Em teus cabelos tão escuros

Invadindo todo o pomar

Que verte flores violáceas

Que se ramificam pelo ar

Galgando os muros nus

Na procura das acácias

Famintas da branca luz...

São folhas outonais ao vento...

Assim são e se vão, ao relento,

Meus vãs e anormais pensamentos...

2008-08-09 Poemas e poesias Gilmar Ferreira Gilmar Ferreira
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