Lembranças
O ato democrático de hoje me faz lembrar uma pessoa muito querida: minha avó materna, a qual chamávamos de mãezinha.
Se ela estivesse entre nós, com seus mais de noventa anos, certamente ela seria mais uma eleitora fervorosa por praticar sua cidadania, mesmo a Justiça Eleitoral não a obrigando mais a participar de tal ato.
Levantar-se-ia bem cedo. Tomaria uma ducha. Vestiria seu mais belo vestido. Calçaria um sapato novo. Tomaria um segundo banho: o de colônia. Adornaria braço (o esquerdo), pescoço e orelhas com pulseiras reluzentes, colares imitando a pérola e brincos ciganos. Tomar-me-ia por apoio e iria toda garbosa , saudando a todos como se fossem seus conhecidos, prática antiga da cidade pequena de onde viemos.
Na urna, depositaria seu voto, secretamente, em cada candidato escolhido por ela mesma. Ao sairmos, ela não revelaria a ninguém, nem mesmo a mim, sua bengala humana, em quem votou.
Mas, infelizmente, hoje eu não pude ir com ela votar, ela está sendo administrada por outros governantes, os que estão nos céus. Espero que ela esteja elegendo bons anjos da guarda para guiar os caminhos da sua bengala que aqui ficou.
José Augusto G. de Almeida
Publicado em: http://amoraspalavras.zip.net
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.