Leio, respondo e apago
Essas são as três ações que estão na moda no site de relacionamentos Orkut. Os adeptos dessa moda acrescentam que é para manter sua privacidade.
Privacidade? Na Internet? Sabemos todos que usam essa ferramenta — ou pelo menos deveríamos saber — que há hackers dispostos a tudo para destrinchar as particularidades dos internautas com interesses diversos. É claro que aquela pendenga entre grupos de adolescentes por motivos ínfimos não são levados em conta por tal grupo de, às vezes, malfeitores.
Mas eu não pretendo, com este texto, converter ninguém a parar de apagar seus recados recebidos em português peculiar à situação. Mas sim chamar a atenção para um outro fato não menos peculiar.
Privacidade, segundo o dicionário Houaiss é: vida privada, particular, íntima. Sendo assim — acredito que a maioria também concorde com tal definição — não seriam atitudes praticadas nas ruas, nos shoppings, nas praças, enfim, em lugares públicos consideradas uma falta de preservação da privacidade? Ou será que vamos considerar situações aviltantes à privacidade somente quando nos for conveniente? Não seria conveniente também considerar um outro preceito — o do respeito ao espaço do outro — ao, por exemplo, darmos aquele senhor beijo perante pessoas que nunca vimos e que ficam desconcertadas?
Talvez você me julgue puritano demais. Longe disso. Estou apenas mostrando como agimos segundo as nossas conveniências hipócritas, lendo as leis universais de convivência, não as respondendo e apagando-as de nosso cotidiano.
José Augusto G. de Almeida em: http://amoraspalavras.zip.net
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