JÁ NÃO BASTA
Já não basta ofertar seu dia, oferecer sua estrela escondida no bolso da noite que é só sua, muito menos enviar papéis molhados com as lágrimas que não evitei;
Já não basta soluçar escondida, adormecer nos braços da luz, sonhar com jardins em pleno inverno, nem pensar que não penso em você;
Já não basta catar com suas pequeninas mãos as gotas de orvalho da noite que não fui, ou sacudir a roupa que leva meu perfume, nem mesmo acenar para um coração que não vê;
Já não basta fugir da realidade que edifiquei no seu mundinho, desejar mais do que ofereço, querer mais do que te quero, nem mesmo apressar os passos no caminho por onde ando;
Já não basta ignorar os sinais que envio todas as manhãs nas asas do beija-flor, ou fingir que sou estátua de sal, e nem pensar em esvaziar meu pote de dor e saudade;
Já não basta tanta coisa, já não basta ser invisível, já não basta adulterar meus sonhos em pesadelos que reclamo, pois de tudo o que já não basta, fica bastando apenas tua pessoa serena e penetrante invadindo meus dias sem pedir licença, e causando tanta felicidade que só me cabe, por último, pronunciar a mais cristalina e absoluta verdade: você me basta, e nada mais desejo.
MAURO XAVIER BIAZI
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.