Inverno
Eu, mais um ser humano abandonado na Terra, crescendo na esperança de um dia ser feliz. Eu, mais uma menina, apenas mais uma flor murcha jogada em um jardim qualquer nas tardes frias de inverno. Minha vida, apenas ela, faz parte de milhões, que foram fabricadas para serem vividas, mais está tudo tão estranho... Sinto que estou na reta final do meu desespero, minhas lágrimas caem com se não houvesse solução para problema algum, minha boca se cala diante dos altares sagrados do mundo. Eu penso se vivo ou finjo. Olho as pessoas, lá longe, elas estão tão próximas, mais parecem distantes, divididas por um muro que separa eu do real mundo. As borboletas voam tristes, solitárias, tão pequenas. Gostaria de voar com elas, para algum lugar, bem longe, e ver o mundo de um jeito que ninguém possa me pegar. Subo nos andares mais altos da casa, e continuo, observando as pessoas. Na verdade, não as vejo muito bem, estão todas pequenas, isso porque estou no alto. Então, paro, penso, será que Deus nos vê de um lugar alto onde dizem que ele está? Creio eu que não. Gostaria que muita coisa mudasse, mais parei de me esforçar para isso. As pessoas ficaram cada vez mais frias comigo, descobriram o meu eu que ninguém conhecia até então. Pensei que seria melhor contar a verdade, mais acho que... Não! Eu sinto uma vontade imensa de dormir para sempre, nunca mais acordar, morrer talvez não, sonhar. Aqui está frio, as árvores em verde-escuro me assustam, parecem me querer, para que?! As almas selvagens fazem festa dentro de mim mesma, gritam suplicando uma ajuda, que até hoje, ninguém cedeu. Penso se uma pequenina coisa mudasse, minha vida seria diferente e eu não teria motivos para chorar. Lembrei-me agora, o porque das flores amarelas, o porque da cor amarela. Uma pessoa tão queria minha, faleceu há algum tempo, em volta do seu caixão havia flores amarelas, não lembro quais, mais havia. Foi uma cena tão linda e ao mesmo tempo triste, o sol iluminava aquele rosto pálido de cabelos cacheados e louros. Ela parecia sorrir, como se estivesse feliz por sair de uma vida tão conturbada. Lembrei-me agora, o porque de quase tudo. Não sei porque Deus a levou para um lugar tão longe, como ele é cruel, afasta as pessoas que se amam uma das outras, impõe barreiras indestrutíveis, barreiras da solidão, que um simples homem, nunca conseguirá derrubar. Como as pessoas, lá fora, podem considerar "aquela coisa, aquele" um Deus? Como. Se existe. Na verdade, acho que nem eu existo. Acho que sou um sonho de um outro alguém, um sonho mal feito, um rascunho de sonho. Sou uma imagem paralela cheia de deformidades, pronta para cair e voar, apenas. Minha tristeza, ninguém vê, minhas lágrimas, ninguém seca, minhas palavras, ninguém entende!
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