Herói covarde, amor valente
Quando, do alto dos montes, o valente Cavaleiro avistou os campos, um calafrio arrepiou a sua espinha, pois fora ali o palco do terrível genocídio.
Ó, Minerva, deusa da Sabedoria e da Guerra, bem sabes que outro herói como este, jamais, em nenhuma época, pisou sobre a Terra.
Porém, naquela fatídica batalha o nosso herói, não por traição, agiu como um verdadeiro canalha. E indiferente à sorte dos seus soldados, abandonou-os a si mesmos, e assim foram todos exterminados
Ó, bravo Cavaleiro, tu eras temido entre gregos e troianos, e, bastava levantar a tua espada, que fazia tremer até os ríspidos espartanos.
Diziam até, sem nenhum exagero, que eras protegido por dois deuses escudeiros:
Fobo – o Medo!
E Deimo – o Terror!
Porém, por algum motivo oculto, pela primeira vez se amedrontou, e dali, do alto dos montes, chorou:
- Fui fraco, tive medo da morte.
Ó, bravo Cavaleiro, por que se acovardou? Tu, entre os brutos, o mais selvagem! Entre os heróis, o de mais coragem! Por que, ó céus, amarelou?
Porém, e isso era segredo dele, esse bruto Cavaleiro agora tinha um amor, e foi esse o motivo do seu temor.
Sim, feliz amante, que tem nos braços beijos e abraços. Infeliz exército, que tem na cova o seu regaço.
(André Augusto Passari)
Autor de: "Fragmentos do tempo"
Editora: Arte Paubrasil
Gênero: Poesia/Literatura brasileira
Páginas: 112
Preço: R$ 20,00 (R$ 14,60 no site da Editora)
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