FIM DE TARDE...
No dia em que a tardinha se debruçava no horizonte e lançava suas últimas luzes sobre o lago, e as garças do norte voltavam ao ninho pra matar a saudade de um dia distante dos seus, e o sol vestia seu traje de dormir, e a noite ainda engatinhava, e alguns seres caminhavam sem rumo nem prumo, um músico solitário derramava as notas de melodias que realçavam a paisagem e penetravam feito navalha no espírito de quem, sensível e atento, espreitava o espetáculo. Pele arrepiada, coração leve e solto, ouvidos afinados, uma leve palpitação que indicava felicidade, e o rabiscador de palavras sentia ser aquele um momento único, um instante profundamente transformador, uma fração de tempo que permaneceria para sempre atado à sua memória como musgos no córrego da vida.
O viver tem dessas coisas. Um dia, só um dia, um fato que não contávamos, e tudo vem provar que viver é fantástico, vale a pena e registra profundamente, em quem sabe a delícia de estar respirando, a certeza de que a vida é inquestionavelmente bela.
Pro músico do lago a gratidão minha e a de quem o fez assim, mágico e divinamente inspirador.
MAURO XAVIER BIAZI 25052008
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