Fada das matas
Cante comigo, benfazeja fada,
Que tem morada nas estrelas
Que são, do céu, as flores,
Como são as flores as estrelas
Dos céus nascidas pelo chão...
Canta comigo, cisne de prata,
Deusa proprietária das matas
Donde se morde fatais maçãs,
Frutas vermelhas envenenadas
Todas veneno e todas temporãs,
Mas não se morre nem se perde
Palavras orvalhadas pela manhã
Da solidão fria, triste e existente
Entre os esparsos vagos dos hiatos
Estranhos encontros dos ditongos
Das leves consoantes brotadas
No solo fértil dos fiéis sentidos,
Onde nascem os mais finos adjetivos.
Senhora guia de luz dos meu caminhos
Dona dos seios e dos cabelos mais lindos
Que ferem meus frouxos olhos mortais...
Liberte teu brioso veludo... Voa borboleta
Das asas de pólen da luz que abraseia
Os olhos pérolas das lágrimas de estrelas,
Mulher da tez pálida e macia
Violácea flor das sensitivas
Que ferem deliciosamente meus desejos
Astrais...
Quebra a mudez das coisas vivas
Move serpentes entre areias movediça
Astros pelo manto cerúleo e cristalino,
Pedras rígidas banhada em lodo e limo
Entre os poderes dos poderosos cristais...
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