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Fada das matas

Cante comigo, benfazeja fada,

Que tem morada nas estrelas

Que são, do céu, as flores,

Como são as flores as estrelas

Dos céus nascidas pelo chão...

Canta comigo, cisne de prata,

Deusa proprietária das matas

Donde se morde fatais maçãs,

Frutas vermelhas envenenadas

Todas veneno e todas temporãs,

Mas não se morre nem se perde

Palavras orvalhadas pela manhã

Da solidão fria, triste e existente

Entre os esparsos vagos dos hiatos

Estranhos encontros dos ditongos

Das leves consoantes brotadas

No solo fértil dos fiéis sentidos,

Onde nascem os mais finos adjetivos.

Senhora guia de luz dos meu caminhos

Dona dos seios e dos cabelos mais lindos

Que ferem meus frouxos olhos mortais...

Liberte teu brioso veludo... Voa borboleta

Das asas de pólen da luz que abraseia

Os olhos pérolas das lágrimas de estrelas,

Mulher da tez pálida e macia

Violácea flor das sensitivas

Que ferem deliciosamente meus desejos

Astrais...

Quebra a mudez das coisas vivas

Move serpentes entre areias movediça

Astros pelo manto cerúleo e cristalino,

Pedras rígidas banhada em lodo e limo

Entre os poderes dos poderosos cristais...

2008-08-31 Poemas e poesias Gilmar Ferreira Gilmar Ferreira
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