Eu, o sorveteiro e a escada
Passeando pelo parque
Tranquilamente e vagabundamente
Com um enorme esforço de um filosofo
Observei um carrinho de sorvete
O calor me obrigou a querer gastar
Mas o que não esperava era o inesperado
O sorveteiro se encontrava na parte alta do parque
A única maneira de matar minha vontade
Era subir por uma rampa meio estranha
Chamei o rapaz para ver se descia
Mandou-me subir a escada
Escada? Onde?
Escada tem que ser rolante
Ou pelo menos ter um corrimão
E tudo mundo já sabe uma verdade
Quem sobe escada são atleta e pagador de promessas
Tentei achar algum elevador
Não sei por que todos me olhavam estranhamente
O carrinho começou a ir embora
E decidi fazer o sacrifício
Meu medico sempre me disse para fazer exercícios
Cento e vinte quilos não era nada
Eu consigo, degrau por degrau
Se Jesus com chibatada levou a cruz até o morro
Não conseguirei passar por esta escada?
Primeiro analisei: 33 degraus por um sorvete
As nuvens cobriram o sol
Uma leve brisa passa pelo meu rosto
E um marco entra para historia da minha vida
A escada já era um passado distante e superado
Olhei por todos os lados para encontrar minha recompensa
Ouço a voz do sorveteiro me chamando
Para minha grande e gloriosa infelicidade
Seu belo sorriso de ordinário estava na outra ponta
Mas agora era só descer
A barriga ajudou neste momento caótico
Tirei o dinheiro com o mínimo de calma que me restava
Quando abriu a tampa e foi pegar o picolé
Não havia mais nada, só a minha raiva de consumidor frustrado
Hoje nem quero lembrar daquele passeio
O sorveteiro nem deve se lembrar também
Um dia ainda consigo conversar com ele
Quando ele sair do coma
E eu da prisão...
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