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Entre o Surreal e a Iniciação Sexual de Déborah Cristina - Poema-Conto

Entre o Surreal e a Iniciação Sexual de

Déborah Cristina

Poema-Conto

Erick debruçou no seu beiral

Olhou para a janela vermelha

Aquela, bem à sua frente

No seu endereço na Rua Verde

Na cidade de Taporaí

E viu, de novo, Déborah Cristina

Aquela enxerida

Metida na vida alheia

Mas dessa vez

Déborah Cristina estava deitada

Nua na cama, linda como nunca

Cabelos soltos e revoltos

Pele opaca de tão eriçada

O reflexo do sol

Recortava a vidraça

E o fazia procurar ângulos

Melhores para vê-la

Como uma bisbilhoteira daquelas

Poderia oferecer uma cena tão bela?

Ela se contorcia

No lençol macio

Rolava para lá e parava

Com as pernas abertas

Seios perfeitos tinha a danada

Uma de suas mãos

Apertava a ponta do travesseiro

Enquanto a outra brincava

Traçando sonhos sem fim

E desenhos repetitivos

Em pontos delicados

E molhados

Seus olhos viravam

E reviravam nas suas órbitas

De onde ele estava

Não ouvia os gemidos

Que sua boca carnuda sugeria

E Erick, que tinha certeza

Que Déborah Cristina

Era apenas um objeto

Que se intrometia

No amor alheio

Não resistiu

Ao apelo impensado

Daquela linda

Da Déborah Cristina

Quando viu

Estava em pé no seu parapeito

Calculando distâncias

Ele ia pular no espaço

Voar um pedaço

Agarrar-se à sua janela

Fazer força para cima

E entrar no seu corpo

Que tremia e suava

Por um instante

No momento do seu salto

Pode ver seus pés

Pernas esticadas

Pontas dos dedos

Forçadas para cima

Sua boca gritando alto

E seus olhos se abrindo

Esbugalhados

E ele viu que ela o viu

Enquanto gozava dele

Naquela situação escancarada

Tão escancarada quanto ela, ali

E Erick voou no espaço

Mirando sua janela e seu ventre

Pedalou no ar sem parar

Concentração total

Imaginando o final

Membros rígidos sem igual

Mas o vento o empurrou

Quando ele ia segurar no beiral

A sua mão escorregou

Déborah Cristina pulou da cama

E abriu a vidraça como um raio

E viu Erick despencando

Como abacate maduro

Ele, desesperado, pensou rápido

Havia no paredão

Cordas com nós

Que sustentavam um andaime

De pintores admiradores

De quem?

De Déborah Cristina

Onze andares abaixo

Agarrou a corda

Com a vontade de um homem

Que agarra uma mulher

Mas não foi a salvação...

Com o peso do seu desejo

A catraca lá em cima

Foi soltando, afrouxando

A corda descendo

E ele já sentindo

Sua cabeça espatifada

No cimento da calçada

Da Rua Verde

Foi quando Déborah Cristina

Num ímpeto de paixão

Jogou pela janela

Lá para baixo na sua direção

O bico do seu seio direito

Que veio enrijecido e certeiro

Ele o agarrou com sua boca

Apertou nele os seus dentes

E com a força de uma sugada

Estabilizou sua queda

Agarrou o bico com suas mãos

E procedeu sua escalada

Mamilo acima

Déborah Cristina gemia

Soltava berros pela janela

E a três andares

Dele chegar a seu peito macio

Percebeu que o bico dela ardia

Estremecia entumecido

Não ia suportar mais a sua agonia

Cravou então as unhas na parede

E como reflexo

As costas dela sangraram

Corpos tensos, extenuados

Exagerados

Desesperadamente

Erick tentava uma saída

Enquanto Déborah Cristina

Recolhia seu esticado mamilo

Foi aí que uma trança, como corda

Saiu pela janela

Veio em sua direção

E se enrolou nele

Mesmo sentindo a pressão

Segurou-a firme com as mãos

E com segurança foi sendo içado

Tentando imaginar

Que cabelos eram aqueles

E foi subindo, subindo

Quando chegou ao parapeito

Agarrou-se no beiral e pode ver

Déborah Cristina

Com a cabeça e os ombros no chão

Pernas abertas ao máximo

Uma de cada lado da janela

Num movimento contínuo de vai e vem

A trança era formada

Pelos seus pelos pubianos

Compridos e semi-enrolados

Que o puxavam para sua origem

Déborah Cristina estava quente

Vermelha, ardente, decidida

A volúpia foi tão grande

Que Erick entrou inteiro

Naquela caverna escura

Nunca antes penetrada

Ele perdeu o ar

Enquanto se virava

Naquelas paredes molhadas

Escorregadias, benevolentes

Que pulsavam e o apertavam

Até que depois de um tempo

Num esforço colorido

Com um grito de prazer e exaustão

Foi parido

Meio amolecido e sufocado

Quase desfalecido

Deitou-se ao lado dela no chão

E pode ver nas suas mãos

Os cabelos que ela arrancara de si

Enquanto era deflorada

Pelo momento

No seu rosto um sorriso

Seus olhos se fechavam

E se abriam

E pediam... Mais

Déborah Cristina levantou-o

Puxou-o até a sua cama

Deitou-se de barriga para baixo

E o puxou para cima dela

Erick deitou naquele corpo macio

E ela começou a dançar

A rebolar aquela sua música predileta

Tudo se encaixava novamente

Aos poucos

E ele começou a voar outra vez

No chão, ao lado da cama

Algumas gotas de sangue

Déborah Cristina tornara-se mulher

Deixando de ser bisbilhoteira

Nunca mais Déborah Cristina

Fechou aquela janela...

Renato Baptista - Direitos Reservados

2007-07-20 Poemas e poesias Renato Baptista Renato Baptista
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