E SE...?
E se pouco tempo restar, pouco a se fazer, pouco tempo para se arrepender do não feito, ou dos feitos maus...?
E se não houver saída, se tudo tiver sido uma mentira, todos os passos tiverem sidos errados e não permitiram o encontro sonhado...?
E se em você não houver brotado a flor do perdão, as desculpas que alguém esperou ansiosamente, e tudo foi erro e decepção...?
E se o sol do seu coração não aqueceu outros corações, as estrelas da sua noite mágica não encantaram nem criaram a fantasia ideal para quem acreditava tanto em você...?
E se a chuva não caiu, o sereno não sensibilizou, o canto de pássaros não aquietou seu espírito nem domou suas incertezas...?
E se nada foi o que parecia ser, nem seu amor teve a face sonhada no silêncio do existir, ou a noite não escondeu seus traumas nem as dores...?
E se você não tentou outras estradas, não encontrou outras saídas, não buscou uma rota nova e iluminada para sua trajetória de desejos e fantasias...?
E se tudo foi uma quimera, um devaneio, um sonho de uma noite de verão, e quando a campainha da realidade tocou você estava só e vazia...?
E se pouco tempo restar, muito pouco a fazer, menos tempo ainda para se arrepender daquilo que não foi feito, então o que lhe restará? O que lhe caberá como última missão? O que lhe reservará o destino e suas insondáveis questões?
E de pergunta em pergunta o tempo se esvai, as respostas não surgem, as incertezas se multiplicam e o viver sendo diminuído junto com nosso projeto de um existir na luz e na harmonia, tão sonhado e ninado no seio de tantas outras existências.
MAURO XAVIER BIAZI 07042008
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