Dor Que Remédio Não Cura
Quem nunca sentiu uma dor que achou não ter cura? Eu já senti. E foi em um desses momentos que escrevi esse pequeno desabafo...
"Talvez, se eu quebrasse meu braço num tombo, você saberia.
Se eu me acidentasse, você saberia...
Se eu me cortasse com uma faca, você saberia...
Você saberia que o que sinto é dor. Mas você não sabe, porque não é visível. Contudo, a dor que sinto, apesar de não ter estraçalhado minha pele, meus ossos ou minha carne, é física e consome meus órgãos e pensamentos dia-a-dia.
Como você consegue entender a dor de uma pancada e não faz idéia do que é uma dor na alma? É dela que estou falando. Essa sim, muito pior...
Você não tenta disfarçar uma dor de garganta, uma febre, nem mesmo uma doença grave. Enquanto a outra dor, isso, a da alma, como se fosse uma doença contagiosa e vergonhosa, você esconde, mente, se engana, não quer olhar porque dói, não quer “conferir o resultado do exame”, porque já sabe a resposta...
A quem te pergunta, você responde que “tá” tudo bem. Que “tá” se cuidando, logo passa, não há de ser nada. Talvez, qualquer remédio jogado num balcão de farmácia será capaz de curá-lo.
Doce ilusão... Tentaram me contar, mas não ouvi. O remédio do balcão não cura. Não, não. Analgésico, aspirina, relaxante muscular, de que me serve tanta droga se minha dor ainda continua aqui?
Não existe xamã, não existe emplasto, nem chazinho que cure. Agora aprendi: Para a dor da alma não existe prescrição médica."
Por Caroline Grava
http://palavradagrava.blogspot.com
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