Desde a raiz
Preta ame seu cabelo, crespo sim! Bonito assim!
Curto, grande, enrolado, carapinha ou assanhado:
Crespo sim! Bonito assim!
Tem a ver com seu passado, tem a ver com sua cor,
Preta que dor:
Se vejo ele alisado, quimicamente modificado...
Você sabe como tudo começou?
Nas senzalas, no passado, as negras eram castigadas,
Sem ter pena e sem ter dó.
Com um ferro quente em brasa,
Seu cabelo era torrado, sua cabeça era queimada...
Foi assim que começou.
Depois algum determinista, naturalmente racista,
Dizia que o bom mesmo era ser daquele jeito:
Se for crespo, espixava,
Se enrolado, alisava, com uma química retada...
Sua cabeça feria, o cabelo caía... mas a preta não desistia:
Tinha que chegar ao padrão, aquela ‘pseudo-perfeição’,
Não sabia, era utopia...
Preta ame seu cabelo, crespo sim! Bonito assim
Duro? Duro não!
Dura é a cabeça de quem não vê sua nobreza nem admira sua beleza.
Preta ame seu cabelo, crespo sim! Bonito assim
Tem a ver com seu passado, tem a ver com sua Raiz,
Raiz que não muda,
Por mais que se tente,
Ela permanece, prevalece, volta e lhe diz:
Crespo sim! Bonito assim!
Escrito por Eddy N'grão
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