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Desde a raiz

Preta ame seu cabelo, crespo sim! Bonito assim!

Curto, grande, enrolado, carapinha ou assanhado:

Crespo sim! Bonito assim!

Tem a ver com seu passado, tem a ver com sua cor,

Preta que dor:

Se vejo ele alisado, quimicamente modificado...

Você sabe como tudo começou?

Nas senzalas, no passado, as negras eram castigadas,

Sem ter pena e sem ter dó.

Com um ferro quente em brasa,

Seu cabelo era torrado, sua cabeça era queimada...

Foi assim que começou.

Depois algum determinista, naturalmente racista,

Dizia que o bom mesmo era ser daquele jeito:

Se for crespo, espixava,

Se enrolado, alisava, com uma química retada...

Sua cabeça feria, o cabelo caía... mas a preta não desistia:

Tinha que chegar ao padrão, aquela ‘pseudo-perfeição’,

Não sabia, era utopia...

Preta ame seu cabelo, crespo sim! Bonito assim

Duro? Duro não!

Dura é a cabeça de quem não vê sua nobreza nem admira sua beleza.

Preta ame seu cabelo, crespo sim! Bonito assim

Tem a ver com seu passado, tem a ver com sua Raiz,

Raiz que não muda,

Por mais que se tente,

Ela permanece, prevalece, volta e lhe diz:

Crespo sim! Bonito assim!

Escrito por Eddy N'grão

2008-04-07 Motivacionais Eddy N\'grão Luciana Fiaz
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