Curva extrema
Caia-te céu!... Abra-te chão!
Enterrados estão meus sonhos
Com minhas próprias mãos!
Ainda pude vê-la se esvaindo
Fazendo aquela extrema curva
De dor do extremado caminho...
Onde vais, linda criatura?
Onde levais teu sorriso?
Nunca fora eterna tua morada.
Meu Deus!... Como me enganei!
Rolaram caudalosas as lágrimas
Ao te ver sumindo... Chorei!
Chorei!... Mas tanto foi o pranto
Que alimentou a vida dos rios
Como num passe de um encanto.
Derrubou das margens as matas,
Furaram-se as porosas pedras,
Precipitando em claras e límpidas
Cascatas...
Nem mesmo aqueles ventos bravios,
Tombares dos gigantescos navios
E de moradores dos imensos madrigais,
Que pelo mundo vagam perdidos,
Como as pombas que cedo se vão...
Sei que algumas à casa regressarão
E que outras não vão voltar nunca mais...
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.