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Curva extrema

Caia-te céu!... Abra-te chão!

Enterrados estão meus sonhos

Com minhas próprias mãos!

Ainda pude vê-la se esvaindo

Fazendo aquela extrema curva

De dor do extremado caminho...

Onde vais, linda criatura?

Onde levais teu sorriso?

Nunca fora eterna tua morada.

Meu Deus!... Como me enganei!

Rolaram caudalosas as lágrimas

Ao te ver sumindo... Chorei!

Chorei!... Mas tanto foi o pranto

Que alimentou a vida dos rios

Como num passe de um encanto.

Derrubou das margens as matas,

Furaram-se as porosas pedras,

Precipitando em claras e límpidas

Cascatas...

Nem mesmo aqueles ventos bravios,

Tombares dos gigantescos navios

E de moradores dos imensos madrigais,

Que pelo mundo vagam perdidos,

Como as pombas que cedo se vão...

Sei que algumas à casa regressarão

E que outras não vão voltar nunca mais...

2008-06-24 Poemas e poesias Gilmar Ferreira Gilmar Ferreira
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