como seria se chico buarque tivese nascido na periferia
A partir de hoje iniciarei uma série de traduções de músicas. Do original para "como se fosse na Periferia". Ou seja, como seria se o cara que escreveu aquela música fosse dessas pacatas regiões, mais comuns no extremos sul e leste de SP.
Para começar e homenagear a todos que o amam, Chico buarque. Na primeira linha, a tradicional, na lnha de baixo, a tradução.
Cotidiano - Chico Buarque
Todo dia ela faz tudo sempre igual
É sempre a mesma parada
Me sacode às seis horas da manhã
já cedo vem agitar
Me sorri um sorriso pontual
Fica me medindo, tá ligado?
E me beija com a boca de hortelã...
E vem com aquele bafão querendo umas beiçada
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
Já me dá a letra pr'eu fica ligeiro
E essas coisas que diz toda mulher
Muié tudo igual mano
Diz que está me esperando pro jantar
Fica me acelerando pro rango
E me beija com a boca de café...
E lá vem ela de novo com o bafão e as beiçada
Todo dia eu só penso em poder parar
Quero sair dessa vida mano
Meio-dia eu só penso em dizer não
Na hora do almoço eu não trampo, tá ligado?
Depois penso na vida prá levar
Mente vazia é oficina do diabo truta..
E me calo com a boca de feijão...
O rango tá firmeza então vamu cumê queto.
Seis da tarde como era de se esperar
Suave, cabou o trampo.
Ela pega e me espera no portão
Ela já vem me acelerar de novo.
Diz que está muito louca
Ela dá a letra que tá na nóia
Prá beijar
Pra dá umas beiçada
E me beija com a boca de paixão...
E a beiçada é mil graus
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar
Toda noite a mina implora pr'eu num vazá, tá ligado?
Meia-noite ela jura eterno amor
Na hora de durmi a mina me vem com histórinha
E me aperta pr'eu quase sufocar
A mina tenta me mata no mata leão jonh
E me morde com a boca de pavor...
E ainda apela pras mordida...tá tirando.
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