Colchões de flores
Adormeço em colchões de flores
Donde bebo perfumes dos amores
Que se dissolvem mansos pelos ares
Como flocos de brancas espumas
Que arrefecem as mais vis criaturas
Terrestres ou que povoam os mares...
Repouso metodicamente na floresta
Bem defronte das frestas das janelas
Onde nascem felizes os raios solares
Que invadem as vastíssimas clareiras
Aquecendo os filhotes nas palmeiras
Das araras coloridas e das coloridas
Borboletas
Que pousavam pelas flores das ervas
Cidreiras
Coroando de louros o afável outeiro,
Antigos navios de densos nevoeiros,
Esparramando-se, entre os vales
Existentes entre as simples cidades
Encantas, moradas dos menestréis
Domadores de bestas feras cruéis,
Gigantescas como sete dragões,
Que fazem tremer mil corações,
Ao relento,
As cordas das liras das canções
Ao vento...
Essa é minha morada imaculada
Onde não vinga a palavra "não".
Assim é na minha casa...
Minha Casa-Coração.
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