Cinema de graça
Noronha era um policial recém-formado, e tão logo recebeu sua carteira funcional com o reluzente distintivo, achou que poderia fazer de tudo, então passou a entrar nos cinemas de graça, sentindo-se o rei da cocada preta.
Até que um dia um porteiro mais esclarecido resolveu barrá-lo e dizer-lhe que não tinha esse direito. Inconformado Noronha manda chamar o gerente que gentilmente explica estar o porteiro correto, e que desta vez devido à sua insistência, ia deixá-lo entrar desde que pagasse meia entrada.
Não satisfeito, em outra ocasião, resolve mudar a tática, solicitando ao porteiro a necessidade de falar com o gerente, sendo atendido. Identifica-se e pede-lhe que guarde sua arma no cofre do cinema.
O gerente meio sem graça, percebe a manobra, e convida-o a assistir o filme, acomodado-o nas poltronas destinadas à fiscalização.
A sessão transcorria normalmente quando alguns desordeiros provocam um bafafá* na bilheteria, e mais do que depressa o gerente manda requisitar Noronha, que, comodamente assistia o filme.
Noronha toma as providências, solicita uma viatura, e como é de praxe acompanha as partes envolvidas até o distrito, deixando o filme pela metade.
Muito irado, afinal os colegas tiram uma sarro da cara dele, aprende logo cedo que não poderia praticar êsse abuso de poder, então como qualquer cidadão passa a pagar os ingressos normalmente. Posteriormente veio a tornar-se um dos melhores policiais do seu departamento.
*bafafá=confusão
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