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Canto a um ovo

Irei tentar cantar um canto novo.

Tentarei renovar a forma poética.

Deixar nascer como vir: Patética.

Mês x, dia tal, cantarei a um ovo.

Vejo ali, liso, caiado, sob a mesa.

Lá estão vários irmãos. Qual canto?

Alguns marrons... Canto ao branco.

Ó ovo branco do meu coração!

Vieste do âmago da galinácea preta

Ao negro mundo donde te decanto!

És ovo! És vida! Sacrossanto!

Orgulho da mãe de pelúcia preta,

A fome é uma fria megera negra,

A pedra arde em fogo fátuo brando.

Parto-te. És lindo! Quanto te amei!

Nunca fui santo, ovo lindo branco,

Te amo tanto, que hoje te devorarei...

2008-06-08 Poemas e poesias Gilmar Ferreira Gilmar Ferreira
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