Caminhada
Desconhecemos nossos sentidos, encurralamos nossos sentimentos, nos prendemos às emoções e nos disponibilizamos apenas ao que nos convém.
O sofrimento amortece os vulneráveis, engana os enganadores, quebra a norma dos seguidores e amedronta quem passar diante dele. Ora nos prendemos junto a ele, outras tantas sorrimos ao vê-lo passar; como se o mundo por assim dizer, se encaminhasse na mais profunda emoção vivida, no mais desperto coração encarnado, na mais longa alma deixada de lado.
Entendemos sobre nós mesmos, assim como entendemos sobre nossas origens, como as soluções desprezadas, os caminhos quebrados e os trilhos esquecidos.
Somos feitos de sentidos vazios, descobertos enquanto andamos, preenchidos enquanto escolhemos, valorizados quando queremos. Fazemos de nós, espelho do mundo, reflexo do que enxergamos e recoberto com os sonhos alcançados.
Vivemos no escuro, cientes de onde pisamos, mas sem certeza do que nos aguarda.
Segue-se assim, sem haver solução certa, motivo concreto, verdade absoluta. Somos frutos do passado, produzimos o futuro e caminhamos pelo presente; para que um dia, voltemos a ver a luz.
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