BICENTENÁRIO DE ALLAN KARDEC
Bicentenário de Nascimento de Allan Kardec.
Antônio Paiva Rodrigues*
“Se não tens médico à tua disposição. Eis os três que te servem: espírito alegre, repouso e dieta”. (Antonio Pousada).
O livro é sempre o grande e maravilhoso amigo da humanidade. Um livro que nos melhore/ e nos ensine a pensar, / É luz acesa brilhando/ No amor do Eterno Lar. O livro que instrui e consola é uma fonte do céu, transitando na Terra. O livro é o templo, onde os grandes instrutores do passado se comunicam com os aprendizes do presente, para que se façam os Mestres do futuro. Neste ano, de 2004 será comemorado por todos os espíritas, espiritista, e simpatizantes, o Bicentenário do Nascimento de Allan Kardec (1804-2004), Codificador da Doutrina espírita. Serão semanas de comemorações voltadas para ensinamentos, estudos, simpósios, palestras, seminários e eventos de ordem espiritual, social e cultural.
Ressalte-se que toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do evangelho: “Daí de graça o que de graça recebestes”. Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, França, em 3 de outubro de 1804. Estudou em Yverdon (Suíça) com o célebre Johann Heinrich Pestalozzi, de quem se tornou eminente discípulo e colaborador. Aplicou-se à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. Lingüística insigne, falava alemão, inglês, italiano, espanhol e holandês. Traduziu para o alemão excerto de autores clássicos franceses, especialmente os escritos de Fénelon (François de Salignat de la Mothe).
Fundou em Paris, com sua esposa Amélie Gabrielle Boudet, um estabelecimento semelhante ao de Yverdon. Escreveu gramáticas, aritméticas, estudos pedagógicos superiores; traduziu obras inglesas e alemãs. Organizou e ensinou em casa, cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia comparada. Membro de várias sociedades cientifica notadamente da academia Real de Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, com a monografia: Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época? Dentre suas obras, destacam-se: Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública (1828); Curso prático e teórico de aritmética (1829, segundo o método Pestalozzi); e Gramática francesa clássica (1831). Esta não é uma autobiografia de Kardec, mais um ensinamento para os leigos e aos que criticam a doutrina, e não sabem verdadeiramente o que ela representa para nós espiritistas e espiritualistas, já que o espiritismo é um só e se encontra devidamente codificado nas suas obras, especialmente, e nas demais obras espíritas, complementarmente. O Espiritismo teve seus cooperadores anônimos, principalmente na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo; Na seleção das inumeráveis mensagens examinadas por Allan Kardec e colocadas após cada capítulo do Evangelho, sem dúvida alguma, o critério adotado não foi o nome de uma celebridade notória, mas o do conteúdo valioso, de par com um estilo fácil e persuasivo. Foram vários espíritos, incontáveis, mais de 30 se apresentaram simples e modestamente, com o nome comum, vago, sem qualquer preocupação de identificação e apenas com o desejo de colaborar e esclarecer. Assim, 14 Espíritos se apresentaram simplesmente como: Espírito Protetor; Anjo Guardião; Espírito Amigo; Espírito Familiar. Com o nome de Lázaro: três vezes; Simeão: 2 vezes; José: 2 vezes; Cáritas: 2 vezes; e outros que só aparecem com o nome; vago. Eis a relação: Um espírito Israelita; Uma Rainha de França; Um anjo Guardião; Bernardino; Ferdinando; Um Espírito Protetor; Um Espírito Amigo; Lázaro; Simeão; José; Emmanuel; Irmã”. “Rosália; Cáritas; João; Miguel; Um Espírito Familiar; Guia Protetor; Jorge; Um Espírito Amigo; Simeão; Luís; Luoz; Monod, mensagens distribuídas nos diversos capítulos do Evangelho Segundo O espiritismo”. Voltando um pouquinho no tempo, foi em 1854 que o Professor Rivail ouviu falar nas mesas girantes, fenômeno mediúnico que agitava a Europa. Em Paris, ele fez os seus primeiros estudos do espiritismo. Aplicou à nova ciência o método da experimentação: nunca formulou teorias pré-concebidas, observara atentamente, comparava, deduzia as conseqüências; procurava sempre a razão e a lógica dos fatos. Interrogou os espíritos, anotou e ordenou os dados que obteve. Por isso é chamado Codificador do espiritismo.
Os autores da doutrina são os espíritos Superiores. A princípio, Rivail objetivava apenas sua própria instrução. Mais tarde, quando viu que tudo aquilo formava um conjunto e tomava as proporções de uma doutrina, decidiu publicar um livro, para a instrução de todos. Assim, lançou O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857. Adotou o pseudônimo Allan Kardec, em referencia a uma precedente existência, a fim de diferenciar a obra espírita da produção pedagógica anteriormente publicada. A primeira edição do Livro dos Espíritos é de 18 de abril de 1857, mas a sua edição definitiva é de 18 de março de 1860, graças à capacidade de Kardec, que refundiu, juntamente com os espíritos, todo o livro. De 501 questões passou a 1183, isto é, 999 principais e 184 complementares. A Introdução, que era um todo, Kardec a dividiu em 17 capítulos; As notas, que ficavam no final do Livro, passaram a acompanhar cada resposta. Kardec acrescentou uma conclusão, com nove capítulos; Prolegômenos aparece com 11 assinaturas no lugar de quatro; por modéstia suprimiu este trecho que figurava em prolegômenos: “Cumpriste bem tua missão. Estamos satisfeitos contigo. Continua e não te abandonaremos nunca. Crê em Deus e segue em confiança”. A introdução te 34 páginas; A conclusão tem 17 páginas. Há 19 itens feitos só por Kardec (poucos espíritas conhecem este detalhe, que Kardec apôs sua posição no Livro dos espíritos): Item 59, três páginas, “Considerações e Concordância concernentes á criação”; itens 100 a 113, oito páginas, “Escala Espírita”; item 222, 11 páginas, “Considerações sobre a Pluralidade das Existências”; item 257, seis páginas, “Ensaio Teórico da Sensação dos Espíritos”; item 455, seis páginas, “Resumo Teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista”; item 852, quatro páginas, “Resumo teórico do Móvel das Ações Humanas”; Mais de um quinto do Livro dos Espíritos é de Autoria de Allan Kardec e o restante é de autoria dos espíritos. Em 1858 no mês de janeiro lançou A Revue Spirite (Revista Espírita) e em abril do mesmo ano fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Em seguida, publicou O que é Espiritismo (1859), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868). Kardec desencarnou em Paris, em 31 de março de 1869, aos 64 anos, em razão de uma ruptura de aneurisma. Seu corpo está enterrado no Cemitério do Pêre-Lachaise, na capital francesa. Sua esposa continua sua obra com auxílio de amigos, reuniram textos inéditos deixados por eles e publicaram Obras Póstumas (1890), estes são aspectos importantes da vida deste grande homem que Codificou os cinco livros da doutrina que mais cresce no mundo, a espírita. Espíritos de escol também tiveram participação da codificação da doutrina espírita: São João Evangelista; Santo Agostinho; São Vicente de Paulo; São Luis; O Espírito de Verdade; Sócrates; Platão; Fénelon; Franklin; Swedenborg; Erasto; Sansão; Constantino; João - Bispo de Bordeaux, 1862; Dufétre Bispo de Nevers, Bordeaux; Paulo, Apóstolo. Lyon 1861; Hahnemann. Paris 1863; Vianney-Cura D’Ars, 1863; François de Genêve, Bordeaux; Delphine de Girardin, 1861; François-Nicolas-Madaleine, cardeal Morlot, 1863; e muitos outros. O espiritismo revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos espíritos e das Leis que regem a vida. Educação é um processo, complexo, amplo, global. Educar não é, simplesmente, transmitir conhecimentos e noções. Educar não é a realização de uma simples tarefa a dois, um binômio Professor-Aluno: aquele, um agente transmissor e este, um mero paciente receptor. O vero-professor-o Educador tem de ter uma visão panorâmica total e humana do objeto maior da educação. Enfim, a Educação não pode consistir em simples amontoado de noções desconexas e heterogêneas, sem um alvo superior, porque Educação é um: crescimento, homogêneo e amalgamado, que consolida direciona e impulsiona. A educação espírita é assim. Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. É: Eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente, justo e bom. É tudo.
“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente à razão, em todas as épocas da Humanidade”. “Fora da Caridade não há salvação”.
*ESTUDANTE DE JORNALISMO e CORONEL DA POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ-MEMBRO DA ALOMERCE E DA ACI.
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