Ar Sombrio
Ar sombrio sobre mim... Nuvens negras...
Sobe um arrepio sem fim...Negras nuvens
Cobrem todo o azul como um crepe funéreo...
Toda dor do mundo invade esse ser etéreo...
Tudo é dor. Cataclismo de dor crua e má...
Como impedi-la? Como pedi-la que não vá?
Vejo voltando do teu onírico e surreal vôo
A ave alada de esbranquiçada plumagens
E fartas penugens...
Toma-te em teu bico longo de prata estrela
Arrebata de mim a minha preferida borboleta
De asas gigantes de luzes douradas emanadas...
Vai-se indo... Lábios-fúlgidos-rosais...
Se esvaindo... Olhos-azuis-boreais...
Sobrepujado, covardemente, não ouso nada...
Frio que queima machuca-me a carne...
Vai-se, planando, pelo infinito a ave...
Não administro esse novo empreendimento...
Solto um curto e triste vagido...Lamento...
Confesso-te... Rasga-me a face uma lágrima...
Lacera-me em mil pedaços como tênue navalha..
Escuto-te a voz, ó meu enfurecido desejo,
Que tanto me confunde e me maltrata!
Punge-me a dor com teus frios beijos...
Me arrebata e me... Mata...
Vai-te borboleta... Vai!...
Deixa-me em tristeza... Um ai...
Leve, ave de plumas esbranquiçadas,
Leve minha querida, minha amada
Por esse azulado diamante oceano...
Aconchegue-a em tuas potentes asas,
Em teu singular vôo sempre plano...
Ultrapasse o mais alto dos altos muros
(Querida! Que ledo engano!)
Leve-a a um verdadeiro Porto seguro...
Deixe-a em tua arejada e limpída casa...
Leve-a, segura... Sem acampamentos...
Deixa-a em segura.. Morada
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