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Ao Sabor do Vento

Ao Sabor do Vento

Eu me despeço

E sigo trôpego

Ao sabor do vento

A madrugada escura

Envolve com seu nevoeiro

A minha alma

E o meu coração

Segue apertado

Batendo descompassado

E chorando

A tua ausência

Gritando a distância

Dos teus beijos

E deixando escorrer

Uma lágrima vermelha

Que se misturou

Ao escuro da noite

Enfeitando a saudade

E o sofrer de mais uma espera

Com a cor escarlate

E o vento soprou forte

Cortando o meu rosto triste

Carregando-me para cada vez

Mais longe

O vento sibila

Nos meus ouvidos

E congela os meus lábios

Que agora já não sentem

O calor dos teus

Vento cruel

Irresponsável

Que veio, não sei de onde

Com a missão de nos separar

Mas que ele não saiba

Que enquanto ele soprava

Com sua volúpia indesejável

Ele trouxe para mim

O teu perfume total

E eu aqui calado

Sorrio pela felicidade

De guardar na distância

O teu cheiro

Que é o meu cheiro

Que me invade tirano

Ao sabor do vento.

Renato Baptista – Direitos Reservados

www.poesiaseescritos.com

2007-06-27 Poemas e poesias Renato Baptista Renato Baptista
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