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Amor de carnaval

Como em todos os anos, passei o carnaval de 2009 na casa da minha avó. Em frente a casa dela tem uma praça, nessa praça acontece os shows que costumam ser de bandas de forró ou axé. Na segunda-feira lá estava eu na praça, juntamente com meus primos (temos todos quase a mesma idade... na faixa de 16, 17). Quem se apresentava no momento era a banda “Ta Fervendo” do Ceará. Eu dançava muito, sempre gostei muito de dançar, e axé é bom porque da pra dançar sozinho e não fazer feio. Perto de mim apareceu dois rapazes, que dançavam freneticamente, um deles se destacava por sua beleza. Logo, eu e minha prima comentamos: “Será que eles são gays?”. Eles não paravam de dançar, de rebolar, aquilo me chamava a atenção... Como era lindo aquele menino de preto. Em certo momento a cantora da banda perguntou pra multidão: “Ta faltando homem aqui?”, a maioria dos homens respondeu que não (o que é normal), já os malucos que dançavam na minha frente gritaram: “Ta faltando homem aqui sim!”. Entendi tudo.

O mais lindo falou pra mim: “Faz uma coreografia que eu te acompanho”, que bacana, ele quer ser meu amigo. Mas eu disse que preferia que ele fizesse a coreografia e eu o imitasse. Assim fizemos... E como ele rebolava! Íamos até o chão, a música era envolvente a banda tocava “Chiclete com Banana” e ele agora só dava atenção pra mim. Conversávamos um pouco, ele parecia estar afim de mim... Mas como? Ele se aproximou de mim e disse: “Você ta pensando que eu sou bicha?”, eu ri... E concordei. Ele então disse: “Eu vou te mostrar que sou muito homem!”. Aquilo tudo que me fez ter dúvidas a respeito da masculinidade dele era apenas uma encenação de carnaval. Como fui idiota. Ele se aproximou novamente de mim e disse: “Você é a menina que mais me chamou atenção aqui, há um tempinho que to querendo dizer que estou afim de ti, mas não sei se dizia logo”, eu tava sonhando, ou aquilo era real? Um príncipe daquele dizendo que estava interessado em mim. Eu fiz um charme, disse: “Vamos continuar dançando!”.

Não demorou muito ele foi se aproximando para me beijar, não tinha como resistir... Carnaval é isso aí, não tem muito papo. Nos beijamos, e ficamos durante um tempinho. Ele me disse que se chamava Ivaldo. Logo ele teve que se afastar de mim, pois o amigo dele tava se metendo em briga e ele foi separar... Que fofo! Quando me despedi dele, ele não perguntou telefone, MSN, nada... Eu não sou de perguntar também, então um dia talvez nos vejamos outra vez, mas por coincidência.

No dia seguinte, na terça-feira fomos novamente para a praça, para mim nada tinha graça, não queria dançar, não via meu lindo Ivaldo. Alguns caras me chamavam pra dançar, eu dançava... Mas cadê Ivaldo (o dançarino)?

Conheci outro cara, dessa vez ele era mais velho... Uns 10 anos, sem problemas (pra mim né, porque se minha mãe sabe... rsrs). Ficamos, beijava bem... Quis meu telefone, jamais eu daria (se fosse Ivaldo... ai, ai). Esse era o Tony, chegou até a me levar em casa... Logo me despedi. Chegou a quarta-feira de cinzas, muitas coisas pairavam sobre minha cabeça, mas uma era impertinente : Ivaldo. Que pena que foi apenas um amor de carnaval... Quem sabe na próxima festa eu o encontre.

2009-03-04 Sentimentais Ana Raíssa Ana Raíssa
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