Amizades, Eternas?
Pergunto-me porque as palavras “para sempre” e “nunca” andam conosco como nossas sombras, se sabemos que seus significados em meio a contextos e situações tornam-se inalcançáveis; para que então pronuncia-las?
Sempre que me deparo com estas, meu pensamento é lançado às amizades permanentes, as quais não ousaria tocar, aquelas em que estas palavras parecem totalmente significativas. De volta à realidade, percebo que existem significados escondidos entre estes conjuntos de letras, que passam tão despercebidos quanto à seriedade de pronuncia-las.
Seriam as amizades, eternas?
Por mais difícil que seja o aceitamento dos fatos, as amizades são passagens constates, lições de vida permanentes, correntes de tempo passageiras e momentos independentes. Nos prendemos a elas, assim como nos apegamos àqueles que nos trazem conforto, e o mais difícil de tudo isso, é entender que da mesma forma que as pessoas vieram, elas se vão. Muitas vezes através do tempo, da distância ou da carência de palavras.
Seria justo tirar o que há de mais sagrado para nós? Se não fosse a amizade, do que o mundo seria feito?
As amizades são relacionamentos aparentemente eternos, que tornam-se fortes e confiáveis, estressantes e adoráveis, são a chave do nosso sorriso e o ponto máximo das nossas angústias; assim como o descrevemos, são contraditórios.
As palavras serviriam então, como “prova” da nossa dedicação ou nos trariam segurança através de letras inseguras? Seja o que for, cada dia mais estas são dispostas, para que com o passar do tempo mostrem-se úteis apenas no momento solicitado, já que agora, não passam de letras enfileiradas, de uma utopia talvez.
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