Agulha e Rolex
“Filho, de onde veio a bola?” “Ah, mãe, foi meu amigo que me deu.” “Volte até lá e devolva-a logo, não quero filho meu ganhando nada sem eu saber.”
Lendo esse diálogo acima, alguns poderiam julgar essa mãe um tanto quanto inflexível. Mas, acredite ou não, era assim que muitas mães educavam filhos, inclusive a minha. As genitoras não admitiam, em hipótese alguma, que seus filhos chegassem a casa com algo “ganhado”.
O receio delas estava seguindo uma lógica milenar: de que, ensinando a criança, quando adulta não mudará sua índole (raras exceções), mesmo que as condições de vida sejam subumanas. Claro que tais condições revelam, muitas vezes, um conformismo com a situação em que se encontra, o que não é nada bom nem para o indivíduo nem para o país.
E, a julgar pelo debate acalorado no Painel do Leitor da Folha de São Paulo acerca de artigo de Luciano Huck, há uma boa parcela que parece não se preocupar com a idéia de que educação / situação faz o ladrão.
Sendo assim, quando eu tiver o(s) meu(s) filho(s) procurarei pensar que quem rouba uma agulha rouba um Rolex.
José Augusto G. de Almeida em: http://amoraspalavras.zip.net
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