A pergunta que não quer calar
A pergunta que não quer calar: porque quando, enfim, conseguimos aquilo que tanto queremos, perde a graça?
Não entendo, de fato, o que ocorreu com eles, mas penso que talvez ele tenha perdido aquele encantozinho que o fazia passar madrugadas em claro escrevendo e lendo bobagens, dando asas aos desejos que jamais imaginou compartilhar com uma praticamente desconhecida. Deve ter ido pra longe aquele encanto bobo, mas delicioso que motivou ligações, convites e propostas obscenas.
Mudaram as rotinas de ambas as partes envolvidas na loucura. E a busca pela satisfação dos íntimos desejos foi substituída pela ocupação com coisas "mais importantes" do que a própria intimidade. E o que causou essa frieza? Teria sido o primeiro porre da parte feminina da história, que de discreta, pareceu a mais imoral das criaturas? Bem, ela aprendeu a se controlar depois daquilo. Mas não queria voltar atrás se fosse possível. Porque ele ensinou para ela em uma daquelas conversas noturnas, que se deve arrepender-se do que se deixa de fazer.
Ela continua ali. Contendo suas emoções, tentando resgatar a imagem de moça de família dela, mas por dentro, é aquela gata selvagem de sempre, cheia de dizer pra si mesma que romantismo é bobagem, que ninguém é de ninguém. E ela sente ainda, aquela enorme atração que a fez tremer na porta de vidro pela primeira vez em que seus olhos se bateram pra valer. Ela apenas guarda, para povoar as tardes solitárias que viverá na velhice, a doce lembrança do dia em que encarou a si mesma e sentiu, enfim, aquelas mãos ágeis e quentes pelo seu corpo, aquele beijo rápido. Do dia em que viu bem de perto as pupilas dele dilatas de emoção e medo, saciando em parte, a curiosidade de dois adultos-sem-infância. Dia que, por outro lado, acabou com o encanto dele, com aquilo que o fazia sorrir e dizer que era deles a música do Frejat: "seu olhar me acompanha do outro lado da rua. Um sorriso discreto, e hoje a noite é minha. Sobre nós dois, ninguém vai saber de tudo...".
O encanto acabou... E tudo que ela queria era voltar no tempo e rir durante a madrugada, apenas imaginando como seria bom amarrá-lo em uma cama, realizar suas loucas fantasias e fazer a paixonite imbecil acabar em uma questão de pouquíssimo tempo. Só o tempo de concretizar. Pois quando concretiza perde a graça. E por quê?
A VERDADE DISSO TUDO É QUE CÚMPLICES ELES SERÃO PRA SEMPRE.
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Comentários
Acabastes por fazer-me chorar, acredita? Acabei de fazer uma escolha bem difícil... não quero me arrepender...Sei que eu e ele seremos "cúmplices para sempre"! Como é que pode este texto dizer tanto? Nossa, foi uma catarse... uma bandeira e tanto! Obrigada, minha querida! Que texto! Algo teu que casou direitinho com o que estou sentindo! Perfeito!Te amo! ..clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.