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A força de um aga

Maria das Dores começou a fazer jus ao seu segundo nome bem antes de nascer. Aos cinco meses sua mãe soube que não seria possível tê-la de parto normal, haveria de ser cesariana. Mas a idéia de que seu primeiro fruto do seu ventre não esperaria os nove meses, chegaria com sete, não havia sido assimilada muito bem pelo casal.

Foram a missas e mais missas para pedir a proteção divina para que sua filhota nascesse sem nenhuma sequela. Benzedeiras e mais benzedeiras visitavam-lhes ou eram visitadas, no intuito de que tudo corresse bem dali pra frente.

No sétimo mês, o bebê viu a luz do dia, melhor, da noite (e noite de sexta-feira treze). Todas as atenções das duas famílias se voltavam para o mais novo membro da trupe, que por sinal era bastante unida. Passado o tempo adequado na encubadora, Maria das Dores pôde ir para sua casa.

Domingo seguinte, o padre preparou uma linda cerimônia para o batizado da pequena Maria das Dores. Os padrinhos a encheram de presentes. Vieram parentes de todos os rincões da cidade. Parecia que nascera uma princesa. Pelas pompas que haviam permeado o acontecido, ninguém julgaria que Maria das Dores fosse passar por maus bocados.

Com sete meses de vida, sua mãe conduzia o carro que capotou por três vezes, as duas foram hospitalizadas. Duas semanas depois de ter recebido alta, a pobre coitada caiu da escada (começara a engatinhar), teve que engessar a mão; os pais deram graças a Deus por não ter ocorrido nada de mais grave. E assim foram sucendo agruras pós agruras na vida de Maria das Dores, inclusive na adolescência.

Já na fase adulta, Maria das Dores conseguiu algo que vinha pedindo aos pais havia anos: acrescentar a letra "h" em seu nome, ficando Mariah das Dores. No dia em que saiu do cartório, a moça conseguiu algo que nunca tivera: um funcionário do cartório vinha chegando e ambos se olharam por poucos segundos, mas que pareceram meses, era amor à primeira vista, ou seja, ela conheceu o amor.

Daquele dia em diante, Mariah passou a ser uma mulher de sorte em tudo que fazia. Esquecera-se, inclusive, de todos os males por que passou antes de ter um "h" em seu nome.

José Augusto G. de Almeida ( amoraspalavras.zip.net )

2006-04-13 Outros textos José Augusto José Augusto
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