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A UM PASSO DA REALIDADE

Lembrava-se das conversas infinitas, do coração em ritmo acelerado querendo saltar pela sua boca, o que seria tudo aquilo afinal? Não importava, o sentimento superava a razão, a curiosidade. Quantas palavras bonitas, quantos gestos carinhosos, o que mais ela precisava? Prendia-se ao perfeito, não admitia falhas, muito menos decepções.

Seguindo em direção ao esperado, pulava etapas, ultrapassava caminhos, relevava sentimentos; ficara cega. O escuro a rondava, a cercava, tomava conta e devastava. Seus ouvidos pareciam não ouvir mais; nenhuma palavra, nenhum som. Ela sabia que poderia tirar a venda dos seus olhos e as mãos dos seus ouvidos, mas do que adiantaria? Não queria ouvir, não queria ver, o que estava sentindo já bastava; ou será que aquele sentimento de vazio significaria alguma coisa?

O tempo passou, as mãos cada vez mais coladas aos ouvidos e a venda cada vez mais apertada. Caminhou em direção ao seu destino, mas uma pedra a fez tropeçar; sentiu-se caindo desfiladeiro a baixo. Suas mãos agora estavam livres e sua venda voara para o sentido oposto.

Deitada, tentou levantar-se, não conseguiu. Tentou uma, duas, três vezes, mas nada mudou. Abriu os olhos, encostou sua mão contra a cabeça, tudo parecia tão diferente agora. Aonde se encontrariam as palavras? Os gestos? Fixou sua mão contra seu peito, um breve susto; seu coração havia parado de acelerar.

Já sentada sobre uma pedra, olhava ao seu redor. Por mais vazia que se sentisse, por mais parado que seu coração pudesse estar, algo ainda a mantinha viva, seria sua perseverança? Sabia que deveria ter sido diferente, como pudera ser tão cega, tão incapaz? Mais do que nunca, seus sentimentos ressaltaram, aquele vazio que antes sentia não era nem metade do que sentia agora.

Finalmente, conseguiu compreender. Do que adiantava se cegar ao que estava acontecendo, se quando fosse obrigada a ver, seria tudo pior? Agora, nada mais podia fazer, ficaria ali, esperando. A única coisa que desejava, era que não encontrasse nunca mais sua venda,pois não sabia até onde sua força de vontade iria, isso, se não tentasse ir ao encontro dela.

2007-12-06 Sentimentais Juliana Bender Juliana Bender
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