A REFORMA RELIGIOSA
A REFORMA RELIGIOSA
“As indulgências era uma forma que o “Cristão pecador” encontrava para garantir seu lugar no Paraíso. A indulgência era dada pelo Clero(Igreja), mas só depois que o “pecador” pagasse uma boa soma é que o pecado seria perdoado. Eis como uma testemunha da época descreve as “negociatas” de Tetzel, o monge responsável pela venda de indulgências na Alemanha.”
O impacto das transformações que ocorreram na sociedade européia no século XVI fez com que a Igreja Católica sofresse diretamente um grande impacto. Diversos movimentos religiosos execraram os dogmas da Igreja, bem como a autoridade papal. Citados movimentos religiosos foram conhecidos genericamente como Reforma, e suas ligações eram íntimas com o desenvolvimento do comércio, com a formação de uma classe social renovada; esta classe recebeu o nome de burguesia.
A Igreja católica perdeu aquele poderio que exercia na época as suas normas de pensar, viver, difundidas pelo Renascimento, não encontraram respaldo, pelos religiosos que anteriormente estavam de acordo. Numa teimosia incomensurável os católicos teimavam em manterem-se fiéis aos princípios do feudalismo à sociedade reagiu, elaborando uma nova vertente do cristianismo, mais adequada às necessidades da época burguesa.
Surgiu aí o protestantismo, como todos os movimentos que nesse momento deplorável romperam com a Igreja Católica.O homem do Renascimento foi um humanista. Elegeu o ser humano como centro de todas as atenções, as criticas se baseavam nesse humanismo renascentista. Erasmo de Roterdam criticava a Igreja por ter se distanciado dos ideais de humildade e pobreza e ter valorizado a riqueza, o luxo, o prazer e a ociosidade. “Quando a cabeça não pensa o corpo padece”.
Que mudança radical esta que sofreu a Igreja Católica, esqueceu a pobreza e se embrenhou no caminho da perdição. A figura acima epigrafada falava que a igreja buscava a simplicidade, a piedade, e o amor ao próximo, execrou sem dúvidas os mandamentos das Leis de Deus, destruíram as tábuas, como Moisés fez anteriormente, quando seus irmãos em orgias adoravam um bezerro de ouro. A igreja, dos Papas era de muito luxo, que acumulavam riquezas com a venda de relíquias tidas como sagradas e com esta atitude as críticas aumentavam. A formação dos Monarcas nacionais, com um rei dominando um território, causou mais furor, já que os papas se julgavam soberanos e não poderiam se subordinar aos reis da região. A questão fundamental era o lucro, o vil metal, a moeda, que comprava tudo, acumulava obras de artes, artigos de luxo e uma vasta extensão territorial. É de se estranhar que com tal atitude praticada pelos Papas, eles eram contra o lucro como pecaminoso e os juros como roubo.
Nos dias atuais encontramos igrejas cobertas de ouro, apetrechos riquíssimos, mas parecendo um castelo do que uma casa de orações. A burguesia vivia exclusivamente dos lucros e juros dos produtos que vendiam, e por que a igreja era contra, queria a fortuna, a riqueza, o lucro só pra ela. Não dá para entender. Os Calvinistas difundiam a idéia de que aquele que ganhasse dinheiro legalmente e aquilo que acumulasse estava, na realidade, agindo segundo os caminhos de Deus. Mas, sempre é bom lembrar daquele velho ditado bíblico: “é dando que se recebe”. A reforma como ultimo fator preponderante, que é importante mencionar a ambição dos nobres em relação as terras da igreja. A Igreja Católica era uma das maiores proprietárias de terra, e os nobres viam nos movimentos contra a igreja uma oportunidade de se apropriarem dessas terras. O que poderemos afirmar nos dias atuais: uma briga de grandes latifundiários em busca do poder, da riqueza e da hegemonia total do poder.
No decurso das prédicas que fez na Alemanha, Tetzel juntou uma enorme soma em dinheiro que enviou para Roma. Recolhe-o, sobretudo nas novas minas de S. Annaberg, onde Frederico Myconius o ouviu durante dois anos. Dizia que se um cristão tivesse tido relações incestuosas e que confiasse ao cofre das indulgências papais certos montantes em dinheiro, o papa tinha o poder de perdoa-lhe a seu pecado na terra como no céu, e que, se ele perdoava, Deus devia fazer o mesmo. Que, desde as moedas caiam no cofre, a alma daquele que tinha comprado as indulgências ia direto ao céu. “Tal afirmação é de autoria de Frederico Myconius e está escrito na História da reforma in Gustavo de Freitas, op.cit”.
França, Portugal, Espanha e Inglaterra eram países unificados, com um rei no poder, já a Alemanha não existia como nação. Mesmo assim não existia um governo central, e sim uma autoridade exercida por um Imperador com pouca autoridade e força política. O poder estava dividido em Estados pequenos, dominados por Príncipes, nobres e membros do alto clero. Só faltava uma autoridade para jogar todo este lixo num incinerador. Como se vê a ganância, a prepotência e arrogância dominavam as autoridades antigamente, em nada diferindo dos dias atuais. O imperador quando tentava controlar o poder, estas autoridades citadas, se reuniam e derrubavam o poder do Imperador.
As práticas feudais eram de responsabilidade da igreja católica, com a ida dos impostos, para Roma o Imperador, perdia seu poder e suas forças. A burguesia alemã também era contra esse estado de coisas, isto, porque a maioria das terras alemãs pertencia à igreja católica. Cobravam impostos pesados e exigiam duras jornadas de trabalho. Foi neste mar de lama que eclodiu a Reforma Protestante, a igreja católica foi alvo de críticas de todas as camadas sociais da época. Este reforma protestante começou com o monge agostiniano Martinho Lutero, que vivia na Saxônia, bastante místico e tinha a proteção do príncipe Frederico.
É uma história e tanto, notamos até que ponto o ser humano pode chegar movido pela ambição do dinheiro, vendia indulgências, como se vendia verduras na feira. É de se lamentar. Se abrirem as portas do Vaticano, creio eu, que iremos encontrar coisas horripilantes, pois uma fortuna incomensurável não se acaba de um dia para o outro.
(ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI E ALOMERCE
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