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A proposta do Evangelho

A propsta do Evangelho.

Na nossa caminhada evolutiva transitamos por vários estágios de comportamento, os quais vão desde o egoismo total ao desprendimento integral.

Para alguns o tempo dá apenas para cuidar de si mesmos, de suas necessidades e interesses. Para outros, todo o tempo é pouco para participar da construção do bem comum, de um mundo melhor. Entre um extremo e outro percorremos estágios intermediários, enquanto a Vida aguarda o nosso despertar.

Podemos dizer, simbolicamente, que existem cinco fases

distintas de relação com o doar-se.

A primeira fase é caracterizada pela indiferença à necessidade do outro. Não nos importa a dor alheia. Os nossos problemas e necessidades são tão grandes e importantes, que não conseguimos enxergar os do outro. "Tudo é pra mim e nada me satisfaz, porque o meu ego é insaciável e eu estou determinado a atende-lo." É a fase do egoismo total. Ainda somos muitos os que estamos presos a esta fase. E pra sair dela...!

Na segunda fase nossa postura é de egoismo material. Concordamos em dar alguma coisa ao outro. Ensaiamos a participação em obras assistênciais e engajamo-nos em campanhas de socorro às vítimas de calamidades; sobretudo se o apelo for através da televisão e a doação feita pelo 0800, porque assim a gente dá sem doar-se. Via satélite. Mas esperamos recompensa material e prá logo. "Estou fazendo muito. Naturalmente espero receber muito mais do que dei". É dando com uma mão e estendendo as duas para receber a paga. A grande maioria de nós ainda se encontra estacionada neste estágio, embalados pela necessidade do ter.

Na terceira fase, a fase do egoísmo celestial, já um pouco melhorados, passamos a negociar com Deus. "Eu dou ou faço alguma coisa pelo outro"; como doar uma roupa bastante usada, um sapato surrada, um livro didático do ano anterior, um objeto de uso doméstico bastante maltratado pelo tempo, a visita rápida a um enfermo, um sorriso pálido a um transeunte..."Mas espero que Deus me recompense" com algo que pode até não ser material. Já nos desprendemos um

pouco dos interesses imediatos e deslumbramos a possibilidade de uma recompensa que não seja obrigatóriamente nesta vida. Pode ser um "lugarzinho no céu". É a fase da barganha celestial.

A quarta fase é a da grande descoberta. É quando passamos a sentir a alegria de fazer desinteressadamente. É quando fazemos sem esperar, porque a recompensa está na satisfação e na alegria de servir. Você passa a perceber que recebe muito da Vida e quanto mais dá menos lhe falta. Quando se doar apenas não basta. É necessário promover o outro para que ele aprenda a evoluir por si. É como se Você fosse um instrumento: as coisas fluem pelas suas mãos. Você apenas se permite ser um veículo do bem. Os seus interesses se confundem com os interesses do bem comum. São poucos os que conquistaram este estado de consciência.

Bem, a quinta fase é a da plenitude. Nela o ego foi abandonado. "Já não sou eu quem vive, mas Cristo quem vive em mim". Compreendemos o amor de outra forma, ou seja, não mais há o amor filial, o amor paternal, o amor maternal, o amor conjugal e outros tantos. O amor passa a ser um só. "Quem é minha mãe, quem são meus irmãos"? É o amor Universal. A plenitude é total. Neste estágio se encontravam os Francisco de Assis, os Chico Xavier, as Irmãs Dulce e alguns poucos mais.

Na essência, é esta a proposta do Evangelho.

Leones Soares

2007-09-07 Religiosos Leones Soares Leones Soares
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Comentários

É sempre uma alegria muito grande ter a oportunidade de ver o mundo através dos olhos do meu tio e sempre professor da vida: Leones.

É muito fácil perceber pessoas do nosso convívio diário que vivem imersas na 1a fase "indiferença à necessidade do outro" e na 2a, do "egoísmo material". Outras pessoas vivem na 3a fase, a do "egoísmo celestial". Uma raridade maior são aquelas que vivem na fase da "de fazer desinteressadamente".

Podemos experimentar momentos dessas 4 fases em tempos diferentes de nossas vidas.
Por muitas vezes consciência e até facilidade de entende, mas na busca cega por nossos objetivos de vida e pelo sucesso desmedido, nos esquecemos do básico e por que não dizer do ÓBVIO... de exercermos o papel mais nobre que um ser humano poderia ter: ser im INSTRUMENTO de Deus, onde nossos interesses são os do bem comum, um veículo do bem.

A 5a fase... ah, um dia eu chego lá...

Um beijo no coração, meu tio querido e que Deus permita que você continue a iluminar o mundo e as pessoas com o brilho dos seus olhos!!!

Felipe Lima. Setembro 2007. Felipe Lima
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