A importância da família nas Atividades Desenvolvidas na Escola
Eli Araújo de Sousa
Profª Loidi Lorenzzi da Silva
Resumo
As ações apresentadas neste artigo se deram mediante a um projeto desenvolvido na escola que teve por objetivo levar os pais a repensar sobre a função da escola. Motivá-los através de palestras educativas, mostrando a principal função da família da educação dos filhos. Lembrar sobre a importância de acompanhar os filhos na escola, ajudando-os em sua educação. A falta da participação dos pais na educação escolar dos filhos torna o processo educacional mais difícil. Uma vez que os pais se preocupam e acompanham seus filhos em seus estudos, o aluno passa a ter mais interesse e ser mais perceptível ao ensino.
As ações apresentadas aqui foram aplicadas na escola proporcionando aos pais uma interação maior entre eles e a escola. Tendo em vista a maior participação e acompanhamento dos pais, onde foi oferecido uma programação especial com palestras, apresentações, vídeos e outros eventos tendo como principal objetivo a participação ativa no processo educacional de seus filhos.
Neste artigo observaremos que através de projetos eficaz e instigadores podemos prevalecer maior interação entre os pais, comunidade e escola. Perceberemos o quanto é importante à participação dos pais e como a escola pode promover reuniões mais dinâmicas tornando-as mais agradáveis e instigadoras.
O artigo está baseado na metodologia da pesquisa ação de Michel Jean Marie Thiollent Franco.
Palavras chaves: Integração, Escola, pais, responsabilidade.
Summary
The actions presented in this article came through a project developed at the school who had intended to take parents to rethink about the role of the school. Motivate them through educational lectures, showing the main function of the family education of children. Remember about the importance of keeping children in school, helping them in their education. The lack of parental involvement in schooling of children makes the educational process more difficult. Once parents care and accompany their children in their studies, the student is most interested and most noticeable to teaching.
The actions presented here were applied in school by providing parents a greater interaction between them and the school. In view of the increased participation and monitoring of the parents, where he was offered a special programming with lectures, presentations, videos, and other events having as main objective the active participation in the educational process of their children.
In this article we'll look at that through effective projects and instigators can prevail greater interaction between parents, community and school. We will realize how important it is to the participation of parents and the school can promote meetings more dynamic making it the most pleasant and instigators.
Keywords: Integration, school, parents ' responsibility.
1. A importância da Família no Processo Educacional dos Filhos
A escola é uma instituição que complementa a família e juntas tornam-se lugares agradáveis para a convivência de nossos filhos e alunos. Tanto a família quanto a escola precisam estar alerta. Os alunos se comunicam conosco de várias formas: através de sua ausência, de sua rebeldia, seu afastamento, recolhimento, choro, silêncio e muitas outras formas.
Uma conversa franca dos professores para com os pais, em reuniões simples, organizadas, onde é permitido aos pais falarem e opinarem sobre todos os assuntos será de grande valia na tentativa de entender melhor os filhos/alunos. A escola deve ser o complemento da educação dos filhos, mas é preciso alertar aos pais que a educação familiar é de extrema importância, pois ela reflete no comportamento e na atitude dos filhos na escola.
Gokhale (1980) acrescenta que a família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social... A educação bem sucedida da criança na família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando for adulto.
Ellen White (1947) afirma que Para que protejam seus filhos das influências corruptoras, devem os pais instruí-los nos princípios da pureza. As crianças que no lar formam hábitos de obediência e domínio próprio terão pouca dificuldade na vida escolar, e escaparão de muitas tentações que assediam os jovens. Devem os pais ensinar seus filhos a serem fiéis a Deus sob todas as circunstâncias e em todos os lugares, cercando-os de influências que tendam a fortalecer o caráter. Com tal disciplina, as crianças, quando mandadas à escola, não serão causa de perturbação ou ansiedade. Serão um apoio aos professores, e exemplo e animação aos colegas.
O dever da família com o processo de escolaridade e a importância da sua presença no contexto escolar é publicamente reconhecido na legislação nacional e nas diretrizes do Ministério da Educação aprovadas no decorrer dos anos 90, tais como:
-Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), nos artigos 4º e 55.
-Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), artigos 1º, 2º, 6º e 12.
-Plano Nacional de Educação (aprovado pela Lei nº 10172/2007), que define como uma de suas diretrizes a implantação de conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar (composta também pela família) e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos.
É notório afirmar que quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais, compreendem com mais facilidade tanto os conteúdos propostos pela escola, quanto às mudanças que ocorre no seu dia-a-dia.
Ellen White (1977) afirma que A verdadeira educação não desconhece o valor dos conhecimentos científicos ou aquisições literárias; mas acima da instrução aprecia a capacidade, acima da capacidade a bondade, e acima das aquisições intelectuais o caráter. O mundo não necessita tanto de homens de grande intelecto, como de nobre caráter. Precisa de homens cuja habilidade seja dirigida por princípios firmes.
O sistema educativo não pode ser um sistema “deseducativo” de alunos de pais e dos professores. Pelo contrário, tem de contribuir para que famílias e escolas não possam fugir facilmente às suas responsabilidade. Esta complementaridade entre família e escola só poderá funcionar bem se os pais e os professores partilharem a responsabilidade sobre a educação a dar a cada criança ou jovem.
O papel da escola é fundamental para aproximar os pais não somente a escola, mas muitas vezes de seus próprios filhos. Às vezes as crianças apresentam atitudes ou ações indisciplinares na escola, somente para chamar atenção dos professores e demais funcionários, sobre algum problema que pode estar enfrentando em sua própria casa.
A escola representa um lugar de emancipação da criança a respeito de seu grupo familiar, fica claro que a escola propicia a socialização da criança, mas, é a família e sua função um dos maiores responsáveis pela educação e desenvolvimento dos filhos. Quando a família valoriza os estudos - a aprendizagem - estimula no filho o mesmo sentimento de valorização.
Segundo Saviani “A educação será um instrumento a marginalidade na medida que contribuir para a constituição de uma sociedade cujos membros, não importam as diferenças de quaisquer tipos, e aceitem-se mutuamente e respeite-se na sua individualidade especifica”.
Sabemos que quando algo não vai bem na esfera familiar, os sintomas aparecem na escola. Os mais comuns são: desinteresse pelos estudos, indisciplina, dificuldade de concentração, etc. Enfim, Um lar desestruturado, sem limites, sem condições básicas, atrapalha o desenvolvimento escolar e social da criança.
A escola muitas vezes fica em um impasse, pois sabem que algo não está bem com o aluno, mas, sabe da dificuldade de alguns pais em aceitar que a criança ou eles precisam de uma ajuda. Porém, é imprescindível que fiquem atentos para os sintomas escolares que seus alunos apresentam, que os questionem, investigue sobre a história familiar dessa criança.
Como vimos a organização da família vem se transformando com o passar dos tempos, porém, em todos os tempos e seja qual for sua formação a família deve desempenhar funções educativas e valores culturais para que possam aprender a viver socialmente. A família é o primeiro grupo de mediação do indivíduo com o mundo social e é responsável pela sua sobrevivência física, espiritual e mental. Os pais são para os filhos os primeiros modelos de como os adultos se comportam e de como se constrói uma sociedade. O estudo de livros só por si, não pode dar aos alunos a disciplina de que necessitam, nem comunicar a verdadeira sabedoria. O objetivo de nossas escolas é prover lugares onde os membros mais jovens possam ser educados de acordo com o Seu plano de crescimento e desenvolvimento. E nesse papel a família é de fundamental importância.
De acordo com Silva : “A escola não deveria viver sem a família e nem a família deveria viver sem a escola. Uma depende da outra na tentativa de alcançar o maior objetivo, qual seja, o melhor futuro para o filho e educando e, automaticamente, para toda a sociedade”.
Tendo como pressuposto tais problemas a escola, após analisar os problemas apresentados pelos alunos e a falta de apoio e presença dos pais na escola, discutiu propostas que inovassem as reuniões e motivassem a participação dos pais. Tal ação foi apresentada ao corpo docente da escola, sendo aceito pela maioria dos funcionários. O dia estabelecido como “dia do pai na Escola” surgiu para aproximar a escola dos pais e da comunidade, apresentando a eles o que a escola pode proporcionar para seus filhos e os motivando a participar de sua vida escolar.
O dia do pai na escola aconteceu duas vezes no ano, uma em cada semestre. No dia os pais foram convidados pela direção da escola a participar de eventos promovidos pela escola como: Palestras, mini-cursos, apresentações, pregações e outros. A escola enfatizou a importância da família na escola, participando do processo educativo dos filhos. Para abrilhantar ainda mais a programação a escola convidou entidades religiosas a ministrar cânticos e palestras destacando a importância da religião na educação dos filhos. Ao final de cada evento a escola ofereceu aos pais um de coquetel ou almoço, confraternizando com todos no evento ocorrido.
Através da implantação do projeto “Dia do Pai na Escola, pode-se observar que os pais começaram a ver a escola de outro ângulo. A visão que tinha com relação a escola foi completamente revertida. Os pais começaram a participar mais das ações desenvolvidas pela escola, claro que nem todos ainda se envolveram, mas como o projeto continua, o objetivo é a integração total dos pais. Houve maior participação dos pais nas reuniões promovidas pela escola, e maior interesse no acompanhamento do filho.
Pode-se verificar que os pais se sentiram importantes para a escola, e ajudar na educação e aprendizagem do filho.
A escola direcionou as palestras enfocando a importância da família na educação dos filhos e seu trabalho no ensino e aprendizagem do aluno.
Através de atividades pedagógicas, sociais, palestras, vídeos educativos, e outros a escola salientou que é responsabilidade dos pais acompanhar a vida do filho, principalmente na escola.
As reuniões passaram a ser mais interessantes, mais dinâmicas, e com isso os pais se interessaram participar mais. Todas as reuniões são lavradas atas que ao final é assinada por todos presentes.
O dia chamado “Dia do Pai na Escola” se tornou uma data importante no calendário das ações da equipe escolar. Os próprios pais buscam saber a quando será o próximo dia, e no que podem ajudar. Ao final de cada Projeto “Dia do pai na Escola” é oferecido aos pais um de coquetel, jantar ou almoço, confraternizando com todos no evento ocorrido.
Através dos depoimentos dos pais, pudemos verificar que o laço que envolve a escola da comunidade se estreitou. Isso nos ajuda a desenvolver projetos na busca de objetivos para o bem comum, sempre inovando para oferecer um bom ensino e aprendizagem.
Após a implantação deste projeto a comunidade tem estada mais próxima a escola, tem vindo a ela no sentido de ajudar, cooperar com a equipe escolar. A porcentagem de pais que tem estado na escola acompanhando o desenvolvimento de seus filhos aumentou de forma significante.
Em 20098, quando o projeto foi lançado tínhamos uma participação pequena, cerca de 40% dos pais compareciam as reuniões bimestrais e pior ainda apenas 15% visitava a escola sem ser convidado pela equipe gestora ou professores.
As reuniões bimestrais, na maioria das vezes eram enfadonhas e não instigavam os pais a participar dela. Apenas eram repassadas as notas dos alunos existindo pouco diálogo entre os pais e os professores, pois o tempo era curto. A escola não muitas vezes não conhecia sua clientela, e a única presença dos pais na escola ou era para comunicar os pais o problema causado pelo filho, ou ouvir deles algumas reclamações de professores ou de outros problemas apresentados.
Com a implantação do projeto, houve uma mudança nas reuniões marcadas pela escola. Bimestralmente a escola se reúne juntamente com os pais para repassar as notas e boletins dos alunos. Porém, antes desse repasse, a escola planeja atividades educativas, palestras, apresentações exclusivamente para os pais. Com essa inovação os pais passaram a freqüentar mais as reuniões tanto as bimestrais quanto as semestrais. A porcentagem em 2009 aumentou de 40% apresentada anteriormente para 60% em reuniões e os pais passaram a visitar a escola com maior freqüência, aumentando de 15% apresentado anteriormente para 30%.
A escola acredita que o papel da família tem fundamental importância na formação pedagógica do aluno. Com isso a escola passou a Cumprir a proposta pedagógica apresentada para os pais, sendo coerente nos procedimentos e atitudes do dia-a-dia e Propiciando ao aluno liberdade para manifestar-se na comunidade escolar, de forma que seja considerado como elemento principal do processo educativo. Receber os pais foi um prazer, marcando reuniões periódicas diferenciadas, esclarecendo assim o desempenho do aluno para que os pais possam a partir daí, ajudar o filho.
A escola passou a exercer um papel de orientadora mediante as possíveis situações que possam vir a necessitar de ajuda, tanto para os alunos quanto para os pais, pois através de uma interação entre ambas, os problemas puderam ser analisados, buscando soluções viáveis, e resolvidos. Abrir as portas da escola para os pais, não em reuniões enfadonhas mas sim, fazendo com que eles se sintam à vontade para participar de atividades culturais, esportivas, entre outras que a escola oferecer, aproximando o contato entre família-escola.
Após a aplicabilidade do projeto a escola passou a ter mais diálogo e cooperação para com os pais, comunidade e alunos. A presença da família passou a ser mais freqüente. Isso fez com que diminuísse a evasão escolar e contribuísse na melhora da aprendizagem dos alunos.
Infelizmente ainda existem pais que não tem a visão de que a escola necessita da família, mas acreditamos que com o passar dos tempos, esses, irão perceber o erro e juntarão com aqueles que já estão participando e assim poderemos ter uma educação mais dinâmica e eficaz, desenvolvimento de ações que favoreçam o sucesso escolar e social dos alunos.
2. Referências
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8069, de julho de 1990.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
GOKHALE, S.D. A Família Desaparecerá? In Revista Debates Sociais nº 30, ano XVI. Rio de Janeiro, CBSSIS, 1980.
PEQUENO, Andréia Cristina Alves. Educação e Família: Uma União Fundamental - Artigo disponível em: http://www.ines.gov.br/paginas/revista/TEXTO2.htm
SAVIANI, Dermeval, Escola e Democracia – 40 Ed. Campinas SP. Editora Autores Associados. 2008.
SILVA. Sonia das Graças Oliveira. A relação Família/Escola, Disponível em: http://www.artigos.com/artigos/humanas/educacao/a-relacao-familia%10escola-3012/artigo/
THIOLLENT, Michel. Metodologia da Pesquisa-Ação. São Paulo: Cortez, 1996, 14ª Edição
WHITE, Ellen G - Conselhos a Professores, Pais e Estudantes – 1ª Edição – Edt. Casa Publicadora, Tatuí – SP
WHITE. Ellen G. Ellen G. - Educação – Edt. Casa P. Brasileira – 5ª Edição - Ano de Publicação: 1977 – SP.
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