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A GUIA DO MÁRTIR

Há muito tempo a trás, existiu um árvore que era grande e formosa. Tinha o tronco firme e sua raiz era profunda.

A árvore tinha um sonho, ela não queria apodrecer e cair, tampouco virar carvão. Ela queria ser esculpida ou entalhada, queria enfeitar um palácio ou um átrio de um templo.

Os anos foram passando e seus sonhos viraram lamentos. Sentia que cairia, apodreceria ou viraria carvão.

Um dia um homem encostou-se a sua sombra e dormiu. Quando acordou, o homem ajoelhou-se e orou. Agradeceu pela vida, pelos pássaros e por aquela árvore que lhe deu abrigo e descanso. Depois foi embora.

Alguns dias depois apareceram três homens e sem vacilar, cortaram-lhe o tronco.

Sua ânsia era terrível, seu destino era certo, já era muito velha para ser uma obra. Viraria mesmo era carvão.

Então, subitamente, ela se viu nas mãos de um marceneiro e, quando deu por si, já era uma cruz.

_ Meu Deus!_ disse ela_ serei envergonhada e um criminoso será cravado em mim.

Foi então que ela viu aquele homem, o homem que ajoelhou, orou e agradeceu sua sombra. Houve então um mixto de surpresa e paixão, ela sentiu em seu intimo que algo extraordinário iria acontecer.

As horas passavam e ...no auge da dor, no final da vida, o homem disse-lhe baixinho:

_Olhe e veja, seu sonho começou. Não serás apenas uma obra entalhada, serás mais que isso, serás um símbolo e um caminho a seguir.

2008-02-28 Outros textos LEONARDO BRITTO LEONARDO BRITTO
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