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a gruta da beira do lago

texto do livro- os magos de santa ana- ruy crespo filho

A GRUTA DA BEIRA DO LAGO

-Resistência francesa-1935

A missão estava sendo bem sucedida. Era hora de bater em retirada. Os ataques aos inimigos tinham que ser rápidos e causar estragos e baixas já que a resistência contava com poucos camaradas. Jeam se embrenha pela floresta. Corre para o caminho da gruta da Beira do Lago que tinha visto em uma das suas caminhadas de reconhecimento. O lugar ideal para se esconder dos adversários. Derrepente vários clarões e tiros de metralhadoras. As balas dos adversários o cercavam. As granadas caiam ao seu redor, porém nada tinha o poder de atingi-lo. Jeam sentiu que algo o protegia. Tentou gritar por socorro.. A palavra ficou presa à garganta A Gruta da Beira do Lago estava a poucos metros. Era a sua salvação. Novos clarões dos tiros das metralhadoras varreram com suas balas ao seu redor causando estragos nas folhagens. Era necessário um coração de aço para continuar. Uma força tomou conta dele. Lembrou do salmo que lia para o filho na hora de dormir;

O senhor é a minha salvação;

De quem terei medo?

Ainda que um exército

Se acampe contra mim não se atemorizará

O meu coração;

Ouve Senhor, a minha voz!

Não me escondas a tua face;

O grito? Sim o grito! Ainda estava preso a garganta. Até que a palavra se manifestou. .

--Meu Deus, salve-me!

Diante de Jean surge por de traz de uma arvore um vulto negro.

--Senhor, salve-me!

O soldado nazista respondeu com vários disparos. Jem cai atingido pelo adversário. Na sua mente ouve as palavras;

Tu és o meu auxílio,

Não me recuses

Nem me desampare

Ó Deus da minha salvação.

Acordou dentro de uma cova aberta. No entanto vivo!À noite chorou e adormeceu de dor. Veio o novo dia. Jean estava sem forças. Seus ferimentos precisavam ser tratados para não morrer naquele buraco na terra. Anoiteceu. Ouviu pisada firmes e compassadas com o seu coração. Emitia algo de suave, como se nem a morte que estava à ronda alteravam a determinação daqueles passos. Em sua cabeça nem de longe poderia suspeitar quem realmente se aproximava dele. Percebeu na estranha claridade a imagem de um homem com vestes simples de camponês. Abaixou até Jean olhando dentro dos seus olhos dizendo sorrindo:

-Depois de tanto tempo rapaz, finalmente me encontrou? Fique tranqüilo está oculto dos olhos dos adversários.

-De onde vem senhor?

-- Na verdade estou indo.

-- Podes ver todo o ataque?

- Sim! Foi terrível!Estava junto a ti no momento em que correu para A GRUTA DA BEIRA DO lago que uso também como moradia.

- Podes ver tudo mesmo?

- Sim tudo!

-E quando fui surpreendido pelo soldado que surgiu atraz da arvore e fez vários disparos sobre mim que por milagre atingiram somente a minhas pernas? Embora eu não acredite em milagres e sim que o maldito tinha mesmo uma péssima pontaria.

- Naquele instante estava um pouquinho a sua frente. Quanto à pontaria eu acho que sei por que ele não te acertou .Mas isso não importa agora. Venha comigo. Vou levá-lo a GRUTA DA BEIRA DO LAGO para tratar suas feridas. Lá darei o que você precisa.

Ele inclinou-se, retirou-o da cova e colocou-o nos braços e o levou como criança para o lago. Sua visão escureceu e desmaiou. Quando recobrou a consciência estava na gruta. O camponês lavava os ferimentos. Perguntou para Jean.

-- Acordou meu filho?

-- Que sono profundo. É bom estar desperto!

-Sente muitas dores em suas feridas?

-- Senhor sentia nos ferimentos dores insuportáveis, mais devo confessar com alegria e espanto, que não sinto dor alguma. Nem das que senti a vida inteira. Não posso explicá-lo, contudo a felicidade desse momento.

Cada vez que lavava os ferimentos parecia retirar não só a terra misturada com sangue mais libertava outras dores de sua vida. Por fim adormeceu. Quando acordou se levantou e saiu da gruta a procura do camponês para agradecê-lo. Olhou e o viu na beira do lago em silencio. Para seu espanto o camponês estava ferido. Das Suas mãos postas em oração escorriam gotas de sangue.

---Meu Deus, você também está ferido? E não é só um mais têm vários ferimentos pelo corpo.

--Sabe filho são feridas tão antigas que já não me maltratam. Na vida quem não as tem? .

- Os seus antepassados eram judeus fugitivos da inquisição espanhola. Depois foi também perseguida em Portugal e condenados a fogueira. Estou errado? Como ele poderia saber da história da sua família? Vou falar a língua deles em sua homenagem.

- Antes gostaria de saber quem é você?

O camponês então respondeu:

- Em aquel em que cualquiere ose vangloriarse, em locura, áfirmo que soy oriundo de abraan y tambien, refiiendome em locura estuve em muchos prisiones y muchos azotes y sufri em carne própria incensantes peligros de muerte; cinco vezes recibi de mi pueblo, de mi próprios hermanos 40 azotes menos uno, três vezes fui azotado y uma vez apedrejado. hermanos quien sucunbe que no lo sufra com yo que cargue su propria cruz, quien no sufra conésto que no me abrace! Dios y padre de Cristo y bendito el momento para jurar por mi madre maria, por , por el santo grall, por la espada, símbolo de la cruz e la rosa, ser un caminante mensajero de la paz, del amor.qQuien soy? Aquel que une los corazones en un solo.

Jean continuou assustado ao ver nos pés do camponês ferimento feitos por certo com crueldade.

Foi quando ele se levantou dizendo;

-Durma na GRUTA DA BEIA DO LAGO para recuperar as suas forças..

__Senhor, agradeço por salvar-me e curar minhas feridas.

--Bem, vou partir. Não vá se sentir abandonado. Olhe vou deixar contigo uma peça preciosa. Um dia voltarei para buscá-la.. Ela está enrolada em uma bata de linho branco lá na gruta.. Use-a no momento preciso e com sabedoria.

Estendeu as mãos feridas para se despedir. Ao pega-las Jean percebeu que o conhecia. Adormeceu. No outro dia ao acordar estava deitado debaixo de uma arvore. Levantou-se e foi à procura da GRUTA DA BEIRA DO LAGO e não encontrou nada somente o buraco vazio na terra onde ele caira quase morto..

-Marissa! Marissa! Corra até aqui!Jean está comigo.

Sara corre para abraçá-lo. O poeta incrédulo está salvo!

.

2008-07-31 Outros textos RUY CRESPO FILHO RUY CRESPO FILHO
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