A Grande Merecedora
E dentre todas as que rodeavam, fora ela a escolhida, a grande merecedora.
Mas o tempo mudou, passou a comportar-se de maneira a virar seu assassino, prestes a apunhalar suas costas e lembra-lhe novamente tamanho sofrimento e amargura que havia se materializado diante de si meses atrás, ou segundos.
O tempo de grande aliado passou a se transformar no seu pior transtorno. Provavelmente em questão de dias, meses ou frações de segundos estaria parada à frente do vidro, vendo sua vida passar, como nunca ocorrera antes. E assim seria.
O suspiro, a risada, tudo estava planejado como de costume. Nada, absolutamente nada poderia sair de controle agora, mesmo que o controle não estivesse com ela naquele momento.
E a grande merecedora? Foi tentar encontra-la dentro de si. Mas nada além de míseras palavras conseguiam ser pronunciadas, seu leito estava pronto e nem o tempo conseguiria detê-lo.
Ela sabia o quão gratificante seria seu sofrimento, ele gostava de vê-la sofrer, queria ela apenas pra si, como escrava, como testemunha.
O frio entranhou-se em suas espinhas, sua boca clamava por liberdade. Já agüentara tempo suficiente sem dizer única palavra, era a hora.
Mais do que depressa, pôs-se a desfazer seus planos, a desmontar seus trajetos, a desconhecer o antes conhecido. Quem sabe dessa forma eles são seriam feitos sozinhos? Haveria mesmo uma fórmula de vida?
Abruptamente, o tempo mudou. Diante da escuridão que antes a cercava, uma leve brisa pairou no ar. Liberdade!
E assim continuaria, se desfazendo do que a costumava distrair, se distraindo com o seu possível futuro, e nada se repetiria, nunca mais.
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