AINDA NAQUELA MADRUGADA
AINDA NAQUELA MADRUGADA
Por Carlos Higgie
Norma só percebeu a ausência do marido muitas canções depois. Ela cantava e, às vezes, desafinava. Daniel, amigo do casal, parecia embasbacado com a mulher. Apenas ela terminava uma canção aplaudia entusiasmado e pedia mais uma. Os outros, cansados e bêbados, começaram a levantar-se, pedindo a conta para o sisudo dono do bar. Foi quando Norma percebeu que Marcelo não tinha voltado. Em realidade não tinha noção do tempo transcorrido, só notou a ausência do marido, que sempre estava perto dela.
Pagaram a conta e saíram para a rua. Os outros se despediram e Daniel avisou que iria com Norma até o apartamento.
A mulher estava se sentindo zonza. Ele passou um braço pela cintura dela e caminhou devagar, desfrutando da madrugada, do silêncio das ruas, da solidão que caia sobre eles. Norma encostou a cabeça no ombro do amigo e deixou-se levar. Chegaram ao prédio e ela lembrou que não tinha chave, encostou na porta e percebeu que estava aberta. Algum descuidado, talvez o próprio Marcelo, não tinha fechado a porta.
___ Por isso acontecem os assaltos... – falou com voz pastosa.
Entraram no elevador e Daniel, encostou seu corpo no dela.
___ Não te aproveita, safado... – murmurou ela, sentindo que o homem estava com péssimas intenções.
___ Eu sou louco por você! – falou Daniel, segurando-a pela cintura e beijando de leve o pescoço da mulher.
___ Eu sei... mas não posso... – concluiu ela, sentindo um arrepio que nascia bem aonde ele tinha beijado.
___ Você é linda! Maravilhosa, gostosa, sensual! – continuou o homem, intercalando beijos e amassos com os elogios.
___ Não posso... – repetiu ela, sem ensaiar nenhum gesto de defesa. Ao contrário, separava as pernas para que ele se esfregasse nela e o abraçava carinhosamente. Sentia as pernas bambas e uma vontade louca de abandonar-se à tentação.
___ Não faz, seu louco! – pediu, sem muita convicção.
___ Se eu não fazer vou morrer de tesão ! – exagerou o homem, partindo definitivamente para o ataque.
A mão dele meteu-se por debaixo da saia, avançou pela superfície da meia novinha, puxando um fio, e chegou na renda da calcinha preta. Dali até o suave montinho de pêlos sedosos foi um passo bem pequeno. Ela gemeu forte e beijou-o quando o dedo mergulhou no seu sexo, que já estava em estado de alerta, pronto para receber e dar carinho.
A boca dela tinha gosto de cerveja, a língua pastosa e inquieta brincou com a dele. Há séculos desejava aquela mulher e o marido tinha deixado-a de bandeja e sem nenhuma explicação. Caiu de joelho no meio das pernas dela, baixou um pouco a calcinha e meteu a boca bem aonde ela queria e anelava. Encaixada num ângulo do elevador, ela separou e dobrou um pouco as pernas para facilitar o trabalho de Daniel, segurou firme a cabeça do homem apertando-o contra ela e jogou a cabeça para trás, fechando os olhos e desfrutando daquele carinho intimo e maravilhoso. Ela gozou e sentiu muito prazer, um prazer que nos últimos tempos o marido tinha lhe negado. Gostou tanto do carinho que resolveu devolver o gesto, invertendo as posições: fez ele ficar no canto, abriu o zíper, libertou o bruto desesperado e lambeu devagar, chupou e enfiou na boca, iniciando um movimento cadenciado, sem deixar escapar o membro macio, duro e totalmente molhado.
Daniel não se continha de tanto tesão, queria derramar-se naquela boca, encher de sêmen e de paixão aquela mulher tarada e deliciosa. Socar com tudo naquela boca, fazer o amor no meio daqueles lábios carnudos e excitantes. Segurou a primeira onda do gozo, não queria terminar a noite tão cedo, queria desfrutar ao máximo daquela dádiva inesperada.
Num instante de lucidez percebeu que não tinham saído do térreo: simplesmente não tinham apertado nenhum botão e o elevador não se mexeu.
___ Vamos pela escada – sugeriu, segurando sua vontade de inundar aquela boca magnífica.
Ela estava totalmente confusa, mareada de tanto álcool e desejo. Deixou-se levar. Não chegaram ao primeiro andar. Daniel sentou, fez ela tirar a calcinha e acomodou-a sobre ele. Ela sentou e cravou-se no membro ereto.
___ É ... muito grosso – gemeu ela, fazendo que entrasse tudo, até que os seus pêlos pubianos se tocassem -. É bom! Ah, como sou puta! Como eu gosto disso... eu gosto!
Ela jogou o corpo para a frente, dando um pouco de liberdade para que ele se mexesse. Era tudo o que Daniel queria. Começou a bombear para cima como se seu falo fosse uma pequena lança que entrava e saía daquela ferida úmida, quente e receptiva. Quando ela sentiu que o gozo estava chegando, soltou o peso do corpo sobre o homem e comandou os movimentos. Gozou gemendo baixinho, mordendo os lábios do homem, beijando-o quase com fúria.
Deixando-se levar pelo embalo do orgasmo da mulher, Daniel gozou com força, regando aquele desejado e conquistado sexo.
Os primeiros raios de sol começaram a colar-se para dentro do edifício e Norma, repentinamente sóbria, lembrou que era casada e que tinha transado com o amigo do seu marido. Ajeitou-se rapidamente, deu um beijo no rosto do homem e subiu escada acima, deixando-o submerso num mar de perguntas sem respostas.
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora