SUPER Textos

13 anos

...é, minha fase de auto-afirmação passou, ainda bem. Engraçado lembrar dos meus treze anos, é muito engraçado. Não faz tanto tempo assim no calendário, mais para mim foi há séculos. Eu mudei bastante, isto ajuda a compreender o porque de dois anos, transformar-se em cem. Saía as ruas com toda aquela capa preta e mais um monte de acessórios, imitando meus cantores preferidos de Black Metal. Sentia-me segura e ao mesmo tempo "á foda" andando com um monte de idiotas, assim como eu. Fazíamos baderna nas ruas, aquilo tudo parecia normal aos meus olhos, mais hoje percebo que era pura infantilidade, vinda de uma menina dramática que só queria atenção. Não que aqueles momentos de pura morbidez tenham sido em vão, mas acontece que hoje em dia penso diferente e, fico feliz por isto. Saio as ruas como uma pessoa dita normal, calças jeans e camiseta, visual descontraído, quem vê, nunca diria que sou uma menina 'apreciadora' do tal Black Metal. Afinal, porque afirmar, porque mostrar algo que está dentro de mim!? Porque as pessoas precisam saber algo que é só meu!? Hoje, as coisas parecem ter mais sentido, parei de me questionar, porque sinceramente, as respostas não vinham e eu ficava irritada. As coisas simplesmente acontecem, sem eu mesma saber o porquê. O carro está na pista, na pista da vida, seguindo sua direção correta, não mais desviando para caminhos incertos e desconhecidos. O prazer que eu tinha em ficar triste, não existe mais, a vontade de chorar toda à madrugada pelo amor perdido, se foi. Encontro-me madura e, menos sentimental, a força vinda de palavras bonitas, já não me encantam como antes, fazendo-me arrepender depois. Valores significativos, já são postos em prática no dia-a-dia, hoje compreendo algumas das atitudes dos meus pais; invocação de Satã ou vontade de revolucionar o mundo, persiste, mas só para mim, não é exposta como antes em redações ou simples textos escolares. Não sei se esta forma de viver é a correta, mais acontece que está sendo melhor para mim e para todos ao meu redor. Fazer pessoas sofrerem por simples caprichos, não é legal e não me dá prazer, como nos treze anos. Esnobar, humilhar, era algo prazeroso. Impor meus gostos e obrigar todos a serem como eu, já não acontece mais. Hoje eu percebo que as diferenças são mais do que especiais, essenciais. Não sei se vivo ou finjo, mais se fingir for assim, bom, prefiro fingir à viver intensamente...

2006-03-19 Outros textos Catherine Catherine
0 comentários 1878 visualizações 0.00 (com 0 votos)
  • Deixe seu comentário
  • Pontue este texto
    Quantas estrelas este texto merece?
  • Envie este texto por e-mail para seus amigos
  • Mande este texto para a impressora

Comentários

Nenhum comentário para este texto ainda.
Caso você considere este texto ofensivo, ou acha que, no mínimo, ele deveria estar na categoria Adulta,
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.