“Quem matou?”
Faz-se notória a preocupação com o crescimento da violência entre jovens e crianças. Principalmente nos grandes centros, onde os fatos ganham mais destaques por serem os campos de concentração de também grandes emissoras de TV e redações de revistas e jornais.
No entanto, essa preocupação parece ficar apenas no campo da teoria; já que, desde a mais tenra idade, a mesma mídia que alardeia sobre casos escabrosos envolvendo tais públicos não age de maneira efetiva para reverter esse quadro horrendo, principalmente no que diz respeito à televisão.
Assim que se deparam com a telinha, as crianças começam a se entreter com desenhos animados dos mais diversos. Cativantes. Inofensivos, não fossem a mensagem que passa a ser impregnada nos coraçõezinhos puros.
Explico: vejam só o desenho Tom e Jerry - dois lindos animais que vivem em pé de guerra. Mas tal guerra faz rir devido à maldade de um para com o outro. O Papaléguas jamais é pego por seu perseguidor, que sofre as piores conseqüências. O Picapau só se diverte fazendo o mal aos outros. Já é possível parar por aqui essa lista de desenhos politicamente incorretos.
As inocentes cenas dessas animações refletem na formação do caráter das crianças, que é aprimorado pelos jogos nada violentos do videogame. Um reforço maior lhes é dado através dos telejornais que exploram atos de violência para aumentar sua audiência. O reflexo (que bom!) não é um bando de assassinos em série, nem outros tipos de marginais às pencas.
Porém, a insensibilidade entre as pessoas, e de bem, se agrava cada vez mais.
Cito um caso (entre tantos que me vêm à memória) de um corpo que ficou por horas estendido em uma praia famosa do Rio de Janeiro, e as pessoas passando ao lado ou se divertindo como se nada ali houvesse.
Continuando as autoridades e a sociedade tratando a questão da programação de TV dirigida ao público infanto-juvenil em colchão d'água, tornar-se-á cada vez mais comum a pergunta título desse texto, feita por uma criança quando recebeu a notícia do falecimento de uma idosa; quando o natural seria: “De quê?”.
José Augusto G. de Almeida em: http://amoraspalavras.zip.net
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