SUPER Textos

“Heroísmo ou Instinto de Sobrevivência”

“Ato heróico de experiente piloto salva milhares de vidas numa manobra cinematográfica, desviando o curso da aeronave que tinha rota certa de colisão com um conjunto de edifícios residenciais nas proximidades do Aeroporto Internacional de Cumbica, Guarulhos, na madrugada de quinta-feira, 21 de maio; orientando habilmente o pesado equipamento que teve uma das asas avariadas na imensa muralha de concreto e ferro com 18 andares, cai na serra da Cantareira, ao pé da montanha logo após o aeroporto, sem deixar nenhum sobrevivente”.

Deixemos de lado aqui, todos os fatos descritivos do episódio fatídico que na quinta-feira passada, mobilizou toda a imprensa do país com dezenas de manchetes e entrevistas, com pessoas que transitavam pelo local na hora do acidente, pessoal técnico que sondavam o local durante o resgate na tentativa de encontrar sobreviventes, especialistas que dessa ou daquela forma tentavam explicar ou justificar o ocorrido naquela madrugada fria, e, coloquemos-nos no acento do comandante de vôo por apenas alguns poucos segundos.

A nave está perdendo altitude e puxando fortemente para um dos lados enquanto desenvolve sabe-se lá quantos quilômetros por hora, arrastando toneladas para um destino certo e preciso de colisão com o conjunto de prédios logo à frente. Reflete o comandante: “sobre se há milhares de vidas a serem poupadas no condomínio, e, num ultimo esforço heróico desvia a aeronave para um rumo mais apropriado” ou “seu instinto de sobrevivência o leva a uma tentativa de vencer o obstáculo eminente onde o destino é certo e fatal, almejando mais uma chance, o próximo obstáculo”.

Se “enquanto há vida há esperança”, não teria o piloto reflexivamente desviado do perigo eminente, “o conjunto de prédios” indo para o lado do aeroporto “seu destino original” para tentar um pouso forçado de barriga para safar-se antes de tudo, afinal não é o instinto de sobrevivência que nos mantêm seguindo sempre em frente sem olhar para traz, e, não é verdade que em momentos eminentes costumamos responder á instintos ou reflexos, sem nos preocuparmos com as questões humanas mais fundamentais, ante a um susto, não respondemos com um salto?

Ou “Se é para morrer que seja como herói” estamos caindo rapidamente e não há nada que eu possa fazer para evitar a queda da aeronave, que está puxando para a direita querendo nos levar para uma colisão eminente com o conjunto de condomínios, onde milhares de pessoas completamente indefesas dormem sossegadas nesta madrugada fria, vou reter a nave à esquerda e passar por cima do aeroporto e deixá-la arrebentar-se na serra logo adiante, poupando milhares de vidas.

2008-08-14 Outros textos Jaime Aparecido Donizeti Privatti Jaime Aparecido Donizeti Privatti
0 comentários 128 visualizações 0.00 (com 0 votos)
  • Deixe seu comentário
  • Pontue este texto
    Quantas estrelas este texto merece?
  • Envie este texto por e-mail para seus amigos
  • Mande este texto para a impressora

Comentários

Nenhum comentário para este texto ainda.
Caso você considere este texto ofensivo, ou acha que, no mínimo, ele deveria estar na categoria Adulta,
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.

Identifique-se





Cadastre-se grátis - Esqueci a senha

Categorias

Especiais

Busca